É natural que as principais preocupações com a deterioração das contas públicas brasileiras se concentrem na esfera federal, que tem mais capacidade de endividamento e peso na economia. Isso não quer dizer, porém, que a situação dos demais entes federativos seja tranquilizadora. Neste ano de eleições, as finanças estaduais suscitam temores crescentes.

Dados do Banco Central mostram que, em conjunto, os estados tiveram déficit de R$ 3,4 bilhões nos 12 meses encerrados em abril, sem contar os encargos com juros de suas dívidas.

Trata-se de uma piora galopante: em abril de 2025, contava-se um superávit acumulado de R$ 25,2 bilhões. Neste ano, a cifra voltou ao vermelho pela primeira vez desde 2015, época da farra fiscal patrocinada em Brasília por Dilma Rousseff (PT).

Levantamento realizado pela XP Investimentos dá mais detalhes sobre esse expansionismo orçamentário. De janeiro a abril, os gastos estaduais cresceram 6,5% acima da inflação ante o período correspondente de 2025, praticamente o dobro do avanço de 3,3% das receitas, conforme noticiou o jornal O Globo.

Outro estudo, da consultoria Aequus, aponta que nesses primeiros quatro meses do ano os investimentos —obras de infraestrutura e compras de máquinas e equipamentos— tiveram aumento real de portentosos 37% na mesma base de comparação, segundo o Valor Econômico.