Para além da disparada de preços do QAV, o querosene de aviação, por causa da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, as companhias aéreas ainda enfrentam problemas com a infraestrutura deficiente e com os atrasos nas entregas de aeronaves pelos fabricantes. Até os esforços de redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) estão ameaçados, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), entidade que representa companhias aéreas de todo o mundo. O diretor-geral da Iata, Willie Walsh, afirmou neste domingo que os problemas afetam a capacidade de as companhias ajustarem a oferta de voos à demanda e poderão atrasar a meta de que a aviação chegue a 2050 com emissões líquidas de carbono zero. — Ainda é possível atingir a meta, mas estamos claramente fora do caminho. Precisamos que todos os atores comprometidos com emissões líquidas zero comecem a apresentar suas cartas. E, se eles não fizerem isso, não será por causa das companhias aéreas. Continuamos a fazer tudo o que dissemos que íamos fazer. Não conseguiremos atingir a meta de 2050 sozinhos — disse Walsh, em entrevista coletiva durante a Reunião Geral Anual, que reúne os CEOs de companhias de todo o mundo até esta segunda-feira, no Rio Walsh elevou o tom contra a indústria fabricante de aeronaves e seus componentes. O setor foi um dos mais atingidos pelo travamento de cadeias industriais em meio à pandemia — quando as restrições ao contato social resultaram em atrasos e no encarecimento do transporte marítimo de componentes, chegando parar a produção em algumas fábricas — e até hoje não se recuperou totalmente. A brasileira Embraer, especializada em jatos menores, para a aviação regional, informou junto do balanço financeiro do primeiro trimestre que o pior ficou para trás: a fabricante entregou 44 aeronaves no período, 47% mais do que nos três primeiros meses de 2025. Mas a Airbus, por exemplo, já notificou seus clientes de que haverá atrasos nas entregas de jatos da série A320neo previstas para 2027 e 2028, como mostrou neste domingo a agência Bloomberg. Segundo Walsh, isso atrapalha a redução das emissões de carbono: — Estamos muito desapontados com os atrasos da indústria para entregar novas aeronaves. Isso significa que as emissões hoje estão maiores do que deveriam. Estamos desapontados de não ver reformas nos sistemas de tráfego aéreo mundo afora, o que reduziria significativamente as emissões. Walsh centrou fogo, particularmente, contra os fabricantes de motores — GE Aerospace, Safram e Rolls Royce. Uma reclamação frequente das operadoras de transporte aéreo é que enquanto a indústria é dominada por oligopólios, com apenas três fabricantes de motores e dois grandes de aeronaves — Boeing e Airbus, com a Embraer correndo por fora —, as linhas aéreas enfrentam acirrada competição e ficam com o ônus de todo o relacionamento com o consumidor final, o passageiro. Para Walsh, a indústria, especialmente de motores, está aproveitando a situação para elevar suas margens. Embora a reunião anual da Iata seja um encontro de companhias aéreas, os fabricantes patrocinam e participam do evento. Neste domingo, executivos dessas empresas preferiram não rebater as declarações de Walsh. O CEO global da GE Aerospace, Lary Culp, está no Rio e almoçou ao lado de Walsh após a bronca pública. Nesta segunda-feira, o executivo subirá a Serra dos Órgãos, para visitar as obras da nova unidade de manutenção de motores da companhia americana em Três Rios (RJ). Com a nova unidade, o polo no Rio, com oficinas também em Petrópolis (RJ), se consolidará como o maior dos oito centros de manutenção da GE Aerospace no mundo, atendendo clientes de todo o mundo, especialmente das Américas.
Não é só o combustível: aéreas reclamam de fabricantes e dizem que atraso de novos aviões dificulta cortar emissões
Segundo associação internacional do setor, problemas de infraestrutura afetam capacidade de as companhias ajustarem a oferta de voos à demanda













