A crise do querosene de aviação causada pelos conflitos no Oriente Médio enxugou a malha aérea nacional, com o cancelamento de mais de 6,2 mil voos da programação do setor.
A Folha teve acesso a um levantamento feito pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), que comparou o cenário atual com aquele do fim de fevereiro, antes da escalada internacional dos preços do petróleo.
Em maio, o setor perdeu 3.596 voos. Outros 2.675 estão previstos para serem cortados em junho, ou seja, são ao menos 6.271 voos que deixam de existir.
O aumento do querosene de aviação mexe com a oferta de voos porque o combustível é uma das maiores despesas das companhias aéreas, chegando a 45% dos custos operacionais do setor. Quando o preço do QAV sobe de forma abrupta, as empresas passam a gastar mais para operar cada voo. Nem sempre é possível repassar imediatamente esse aumento ao preço das passagens sem perder passageiros. Por isso, elas tendem a reduzir voos e retirar da malha as rotas menos rentáveis.
Os dados da Anac mostram que a redução da malha aérea atingiu praticamente todo o país. Pernambuco aparece como o estado mais afetado. O número de voos previstos para maio caiu 12,8% em relação ao fim de fevereiro, o equivalente a 427 operações retiradas da programação. Em junho, a queda segue elevada, com redução de 11,6% e mais 378 voos a menos.













