Em maio de 2024, eu acompanhava pelo Fantástico a cobertura da maior enchente da história do Rio Grande do Sul quando ouvi uma moradora do Vale do Taquari contar que ficou em casa com a família enquanto a água subia, sem receber alerta de que a situação se agravava. Quando a enchente tomou a casa, os três tentaram escapar pela correnteza. O marido e a filha morreram. Ela sobreviveu agarrada a uma torre de transmissão por 24 horas.
Dois anos depois, diante da previsão de um novo El Niño, a pergunta continua sendo se tratamos informação de emergência como alerta isolado ou como infraestrutura. Em uma crise, informação só protege quando chega a tempo, é compreendida e vem de fontes confiáveis. Com a popularização da inteligência artificial, ficou ainda mais evidente: mais conteúdo não significa mais orientação ou maior capacidade de decisão.
As enchentes de 2024 mostraram essa diferença. Em Porto Alegre, jornalistas criaram um grupo de WhatsApp que chegou a reunir mais de 600 pessoas e passou a incluir Defesa Civil, pesquisadores e lideranças comunitárias. Ali circulou, antes da divulgação pública, um mapa oficial de risco com erros na projeção das áreas que poderiam ser atingidas. Como jornalistas e pesquisadores já estavam no mesmo espaço, puderam checar os dados e contribuir para corrigir a informação antes que ela gerasse pânico.













