Pesquisa inédita foi realizada em 133 municípios do Rio Grande do Sul; maioria diz que qualidade de vida é a mesma de antes do desastre 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Vista de uma casa afetada por enchentes em São Sebastião do Cai, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/07/2026 - 11:43 Deslocamento e Resiliência: Impactos das Enchentes no RS em 2024 Após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, 349.366 gaúchos mudaram de endereço, representando 37,9% dos afetados. A pesquisa do IBGE em 133 municípios revelou que a maioria dos moradores acredita que a qualidade de vida se manteve igual ao período pré-desastre. Em relação à infraestrutura pública, 41% consideraram a resposta satisfatória, enquanto 39,2% a acharam insuficiente. As enchentes causaram prejuízos significativos, incluindo interrupções de energia e transporte. Além disso, 67,5% relataram impactos na saúde mental. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024, 349.366 gaúchos precisaram trocar de endereço devido às consequências do desastre climático, segundo dados inéditos divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa um percentual de 37.9% dentre todos os moradores do estado que precisaram se mudar desde então. O levantamento foi realizado em 133 dos 497 municípios gaúchos, e o total de moradores afetados na área da pesquisa foi estimado em 6.333.727 pessoas. Ainda conforme o IBGE, estima-se que o número de domicílios existentes nos locais mais afetados seja superior a 2,3 milhões. Para fins de comparação, o número de pessoas que se mudaram no estado por tais razões é superior ao das capitais Vitória (ES) — 343.378 habitantes — e Palmas (TO) — 328.499 habitantes — em 2025. Dos 5.571 municípios do país, somente 48 possuem população estimada de mais de 500 mil pessoas (0,86%), de acordo com divulgação mais recente do IBGE. A Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul (PEERS) foi realizada entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026. A coleta ocorreu por meio de entrevistas por telefone. Ao todo, as enchentes afetaram 478 cidades, com 184 mortos e 25 desaparecidos. Apesar disso, a avaliação de que a qualidade de vida "permaneceu a mesma" em comparação com o período anterior ao desastre representa a maioria dos moradores (56,5%). Outros 24,9% afirmam que a situação está pior, enquanto 17,3% consideram que a qualidade de vida está melhor que antes. Memórias destruídas e espalhadas por todo Rio Grande do Sul: casas, objetos pessoais e estabelecimentos são encontrados danificados após água abaixar 1 de 16 Uma boneca é abandonada em uma rua alagada do bairro Sarandi, um dos mais atingidos pelas fortes chuvas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 2 de 16 Um fogão danificado pela enchente é fotografado em uma casa no bairro Medianeira, em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade 16 fotos 3 de 16 Móveis retirados de casas e lojas são vistos nas ruas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 4 de 16 Pertences são vistos espalhados em uma rua de Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade 5 de 16 Uma casa danificada é retratada em Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 6 de 16 Móveis retirados de casas e lojas são vistos nas ruas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade 7 de 16 Detalhe de uma geladeira danificada por enchentes em São Sebastião do Cai, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 8 de 16 Uma pia danificada por enchentes é retratada em uma casa no bairro Medianeira, em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade 9 de 16 Móveis retirados de casas e lojas são vistos nas ruas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 10 de 16 Conforme as águas vão baixando, moradores de Eldorado do Sul tendo contato com os estragos causados pelas enchentes. — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil X de 16 Publicidade 11 de 16 Valdir Wales olha para sua casa danificada pelas enchentes no bairro Medianeira, em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 12 de 16 casa destruída após enchente em Encantado, Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP X de 16 Publicidade 13 de 16 Uma drogaria danificada por enchentes no bairro Cidade Verde, em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 14 de 16 Produtos e estruturas danificadas pelas enchentes descartadas por lojistas em Porto Alegre, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade 15 de 16 Vista de uma casa afetada por enchentes em São Sebastião do Cai, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP 16 de 16 Detalhe de fogão danificado por enchente em uma casa em São Sebastião do Cai, Rio Grande do Sul — Foto: Anselmo Cunha / AFP X de 16 Publicidade Moradia Para 41% dos moradores abrangidos pela pesquisa, a atuação do poder público para a recuperação das áreas atingidas pelas enchentes foi considerada "satisfatória", enquanto 39,2% entendem que as ações não foram suficientes. As ocorrências causadas pelas chuvas mais informadas nos domicílios foram interrupções no fornecimento de energia (66,3%) e internet (61,5%). 28% também informaram que as casas ficaram com áreas externas danificadas e destruídas, impossibilitando o acesso. Em relação ao bairro e ruas próximas, 49,1% relataram que o serviço de transporte público foi totalmente suspenso, com redução na segurança (31%) e acúmulo de lixo (56,3%). As obras integram o chamado Plano Rio Grande. Como mostrou o GLOBO, não houve construção ampla de moradias nas áreas mais afetadas, e a maioria das famílias não aceitou a proposta de aluguel social para viver em bairros distantes. Com isso, o deslocamento foi feito para morros e áreas de risco. Lama e destroços: água abaixa em algumas regiões do Rio Grande do Sul e revela imagens da destruição após enchentes 1 de 11 Destruição provocada pelas enchentes na cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP 2 de 11 Vista do bairro de São José coberto de lama após as enchentes devastadoras, em Lajeado, Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Vista do bairro de São José coberto de lama após as enchentes devastadoras, em Lajeado, Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP 4 de 11 Rua no bairro de São José coberto de lama após as enchentes devastadoras, em Lajeado, Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Vista aérea de Roca Sales, Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 15 de maio de 2024, após enchentes que devastaram a região. — Foto: Nelson ALMEIDA/AFP 6 de 11 Cachorros em meio a destroços da enchente em Eldorado do Sul — Foto: Nelson Almeida/AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Vista aérea de Arroio do Meio, Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 15 de maio de 2024, após enchentes que devastaram a região. — Foto: Nelson ALMEIDA/AFP 8 de 11 Casas destruídas e destroços são vistos em Cruzeiro do Sul. — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Carros destruídos e destroços são vistos em Cruzeiro do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP 10 de 11 Vista aérea: Casas destruídas e destroços são vistos em Cruzeiro do Sul — Foto: Nelson Almeida / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Vista aérea de cemitério destruído no Rio Grande do Sul — Foto: Nelson ALMEIDA / AFP À medida que o nível de água vai descendo em algumas cidades do RS, os gaúchos retornam às suas casas e se deparam com a dimensão dos estragos e perdas Trabalho e saúde mental Além da mudança forçada, o levantamento apontou que 56,4% das pessoas que exerciam trabalho remunerado antes das chuvas deixaram de trabalhar no período das enchentes, o que representa mais de 1,7 milhão de indivíduos. Nas áreas pesquisadas, pouco mais de 3 milhões de moradores desempenhavam trabalho remunerado formal ou informal antes das enchentes. Após a queda, a inserção no mercado mostrou recuperação, segundo o IBGE, alcançando total similar ao de antes do desastre. Dentre os impactos pessoais, 67,5% dos moradores informaram ter ficado com a saúde mental abalada. Quase seis em cada dez pessoas (58,4%) também disseram que a vida social e o convívio com familiares e amigos foi interrompido.
IBGE: Quase 350 mil gaúchos precisaram mudar de endereço devido às enchentes de 2024
Pesquisa inédita foi realizada em 133 municípios do Rio Grande do Sul; maioria diz que qualidade de vida é a mesma de antes do desastre












