A corrupção voltou a ocupar lugar de destaque na agenda pública, e não poderia ser diferente. Dois megaescândalos vieram à tona recentemente: INSS e Master. Seus desdobramentos ainda estão em curso, mas irão marcar intensamente as eleições. Além disso, os sucessivos escândalos associados a emendas orçamentárias reverberam a questão. Haverá intensa disputa de narrativas sobre o envolvimento em corrupção, que afetará poucos setores muito polarizados, mas incidirá nos demais. Mais importante: ela alimenta o sentimento público quanto à necessidade de mudança de rumo.

A sensação de corrupção sistêmica gera o efeito mar de lama: se todos os candidatos são corruptos, a corrupção perderá importância. A cientista política Nara Pavão (UFPE) encontrou este efeito em trabalhos realizados no Brasil. Mas pesquisas usando métodos experimentais aplicadas na Argentina, no Chile e no Uruguai qualificaram esta conclusão: mesmo quando expostos a uma situação de corrupção sistêmica, os eleitores punem nas urnas o comportamento corrupto de agentes públicos eleitos.A corrupção associada a obras é menos rejeitada. O velho trade-off "rouba mais faz" captura parte da dinâmica subjacente à psicologia do voto.