O filme sobre a eleição de Jair Bolsonaro em 2018 é um abacaxi cada vez mais cascudo e azedo para o clã, em especial o filho mais velho do capitão, pré-candidato à Presidência da República. Daniel Vorcaro, dono do finado Banco Master, agora topa contar o que sabe a respeito do financiamento da obra na nova proposta de delação premiada negociada com autoridades em Brasília. A empresa produtora do filme e sua dona, uma evangélica militante do bolsonarismo, acabam de ser alvo de uma batida da Polícia Civil paulista e têm tudo para entrar na mira de autoridades federais. A principal linha de defesa da família Bolsonaro, o “zero um” Flávio à frente, é que a película foi bancada com recursos privados, daí não haver malfeito a ser investigado. Sobram pistas, no entanto, de existência de verba pública por trás da cinebiografia, uma peça de propaganda eleitoral programada para estrear em setembro.
Entre as pistas está um contrato de 108 milhões de reais da prefeitura de São Paulo com uma empresa de Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up, a produtora do filme. O acordo é o motivo da recente visita da polícia a Gama e ao Instituto Conhecer Brasil, ONG pertencente à mesma empresária e que foi escolhida pela prefeitura, sem licitação, para implantar 5 mil pontos de Wi-Fi pela cidade, plano até aqui não executado como combinado. A cronologia do contrato e das negociações do apoio de Bolsonaro à reeleição do prefeito Ricardo Nunes, do MDB, em 2024 mostra tamanha sincronia que é difícil evitar a desconfiança de que a aliança foi sedimentada com dinheiro dos contribuintes.














