Em 1994, eu sabia a escalação da seleção brasileira de cor. E não era só o time titular. Sabia o banco e até o goleiro reserva.

Era Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Ronaldão, Branco, Mauro Silva, Dunga, Raí, Zinho. E tinha Bebeto e Romário. E ainda tinha Cafu, Aldair, Mazinho, Müller, Viola, Paulo Sérgio. A gente sabia o número da camisa, o jeito de correr, o drama das faltas. Foi bonita a festa.

Na época, do STF eu só ouvia nas aulas de direito da PUC. Não se falava em nomes. Falava-se da instituição, da separação dos Poderes, do papel da Corte como guardiã da Constituição. Era assunto de prova, não de mesa de bar.

Hoje, se eu souber o nome da metade dos jogadores da seleção, já é muito. Mas sei escalar os dez ministros do Supremo com nome, sobrenome e estilo de jogo e até discutir quem deve vestir a camisa que ficou vaga. Na torcida por uma mulher.

Houve um tempo em que as pessoas se reuniam nos bares para ver jogos, torcer, xingar e abraçar. A conversa era visceral — e inútil, como toda boa discussão de botequim. O país continua gostando de torcer, só que parece ter trocado a diversão pela divisão. A disputa mudou de canal, agora acompanha julgamentos ao vivo e fica de olho no placar de votos.