No último dia 28 de maio, o Departamento de Estado norte-americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Desde então, o debate trata das consequências que essa classificação pode gerar em termos econômicos ou militares e da incongruência do conceito de terrorismo com as atividades típicas desses grupos. O que não se percebe é que não existe um conceito geral de terrorismo e que as consequências dessa classificação já foram determinadas por um processo iniciado há décadas.

Na forma como é conhecido hoje, o modelo de ação estatal antiterrorista descende da ação francesa e britânica, criada para sufocar movimentos de libertação colonial na Argélia, na Indochina e na Malásia. A lógica deste sistema é preemptiva: nele, política e violência foram tratadas como um "continuum", o que justifica intervir antes que o crime ocorra e antes que o inimigo se manifeste.

Nos anos 1970, essa sistemática foi internalizada por meio de ações adotadas pela Alemanha no confronto com a Fração do Exército Vermelho (RAF), contexto em que o Estado alemão criminalizou a associação de pessoas, instituiu um complexo sistema de vigilância estatal e admitiu a possibilidade de suspensão antecipada de direitos. Vistas pelo Tribunal Constitucional como instrumentos de defesa da democracia, essas normas existem, em sua maioria, até hoje. Após os atentados de 11 de setembro de 2001, esse padrão ganhou escala mundial.