Luiz Mott, 80, não conheceu nenhum gay na sua infância. Não alguém fora do armário, ao menos.
Cresceu numa família católica, estudou num colégio religioso tradicional e tinha irmãos gêmeos que o azucrinavam porque era um "menino delicado, bonito". A discriminação por ser algo que nem sabia como nomear continuaram por anos, contou neste sábado (6), na Feira do Livro, o antropólogo e ativista LGBTQIA+.
Mott sabia o que não era: um "heteronormativo", termo que só aprenderia muitas décadas adiante. "Era terrível, eu nem sabia o que era ser gay, o que era homossexualidade."
Ele diz que era "tão chucro" que, quando se assumiu gay, já casado com uma mulher, pai de duas filhas, professor da Unicamp, "nem sabia como escrever homossexualidade, se com um ou dois ‘s’".
Mott transformou sua participação na feira literária em uma espécie de percurso pela história da população LGBTQIA+ no Brasil. Em conversa mediada pelo jurista e professor Renan Quinalha, o fundador do Grupo Gay da Bahia relembrou episódios de homofobia e contrastou o ambiente de repressão que conheceu na juventude com a visibilidade conquistada pela comunidade nas últimas décadas.













