Nossa conta previdenciária é uma das maiores do mundo, levando em conta a pirâmide populacional e o PIB. Sem endereçar essas questões com urgência, tudo só tende a piorar, especialmente para os jovens RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 17:29 Crise Previdenciária no Brasil: Envelhecimento e Produtividade em Foco O artigo aborda a crise previdenciária e o impacto do envelhecimento populacional no Brasil, destacando a necessidade urgente de aumentar a produtividade para evitar um conflito intergeracional. O texto também menciona avanços médicos, como tratamentos inovadores para câncer e doenças crônicas, que podem prolongar a expectativa de vida, mas também aumentar os custos de saúde. Sem reformas, a pressão sobre os jovens trabalhadores crescerá. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há muitas razões para elevados níveis de stress e ansiedade. Saímos do período de unipolaridade americana — período de relativa paz no qual os americanos jogavam dentro das restrições do sistema internacional de regras institucionais — para o momento atual, no qual os EUA olham para seus interesses e combatem ativamente seu rival, a China. Passamos por uma pandemia que mudou a economia global, deixando um mundo com inflação e desequilíbrios fiscais persistentes e guerras comerciais frequentes. Abandonamos o conforto de que as democracias liberais eram o destino político global com o “fim da História”, para um período de populismo insurgente ao redor do mundo. Além desses fatores, tenho comentado outros dois choques: a implosão demográfica global e a revolução tecnológica da inteligência artificial (IA). Há muitos debates sobre se esses dois choques são e serão bons ou ruins, mas há um terceiro choque que é sem dúvida muito positivo, ainda que suas consequências econômicas e sociais ainda tenham que ser avaliadas. Esse choque é a aceleração nos tratamentos de doenças crônicas e letais. Vejamos algumas notícias recentes. A Eli Lilly está em fase avançada de testes da Retatrutide, uma variante avançada do Ozempic/Wegovy que opera três agonistas ao mesmo tempo, inclusive um que aumenta a taxa metabólica. Essa combinação gera perda de peso igual ou maior às variantes atuais, atenuando efeitos colaterais como a perda de musculatura, com efeitos benéficos sobre outras questões, como a inflamação. A aprovação deve ocorrer até 2027. A empresa de biotecnologia Revolution Medicines está testando com sucesso medicamento para tratar o câncer de pâncreas metastático — um dos mais cruéis, com poucas opções de tratamento — que tem dobrado a taxa de sobrevivência e diminuído a mortalidade em 60%. Cientistas estão desenvolvendo uma forma de edição genética para modificar o gene PCSK9 no fígado, levando a uma queda permanente da produção do colesterol LDL — um tratamento sem a necessidade de tomar remédios. A Clínica Mayo está se especializando no uso de IA e técnicas de aprendizado de máquina em exames radiológicos, aumentando as taxas de captação de anomalias e a distinção entre tumores benignos e malignos. Podemos citar outros avanços e casos, mas estou convencido de que devemos ver fortes progressos em várias frentes da medicina ao mesmo tempo, seja no tratamento das duas doenças que mais matam — as cardiovasculares e o câncer —, seja no tratamento de problemas crônicos, como a obesidade e o diabetes. Há vários estudos e pesquisas sendo feitos para atacar e tratar o próprio processo de envelhecimento, ainda que não haja nada muito promissor nesta frente ainda. Nas últimas décadas, as taxas de sobrevivência de vários cânceres têm lentamente subido. Mas em alguns, como o câncer de pâncreas, não temos visto avanços palpáveis. Isso parece prestes a mudar. Boas notícias, mas não sem possíveis consequências negativas que merecem reflexão. Se nas próximas décadas essas novas terapias aumentarem a expectativa de vida — e também sua qualidade —, junto com a queda da natalidade, podemos ver um envelhecimento ainda mais rápido da população: simplesmente teremos pessoas vivendo mais, com melhor saúde, e menos pessoas jovens. Isso criará dois vetores distintos de pressão sobre a questão fiscal. Essas novas terapias vão custar, pelo menos inicialmente, bastante, pressionando os já crescentes gastos com saúde. Do outro lado, as pessoas viverão em média mais tempo recebendo aposentadoria, que terá que ser paga por um número menor de trabalhadores jovens na ativa. Parece que vamos enfrentar um dilema cruel: ou diminuímos efetivamente o nível das aposentadorias, ou teremos que tributar cada vez mais um grupo cada vez menor de jovens trabalhadores. Em nossa democracia, essa dinâmica populacional vai aumentar o peso e o poder político relativo dos aposentados e pensionistas. Como ficaram os jovens? Só há uma solução viável para sair desse dilema: fortes aumentos de produtividade. Se tivermos relativamente menos trabalhadores ativos, mas eles forem muito mais produtivos, poderão sustentar um sistema justo de aposentadoria sem serem tributados violentamente. Essa é a única maneira de evitar um tipo de guerra de classes — mas, neste caso, intergeracional. Embora tudo o que foi discutido aqui sejam fenômenos globais, nossas deficiências na questão da produtividade são alarmantes. Nossa conta previdenciária é uma das maiores do mundo, levando em conta nossa pirâmide populacional e nosso PIB. Sem endereçar essas questões com urgência, tudo só tende a piorar, especialmente para os jovens.