O Brasil envelhece em ritmo acelerado, e a conta dessa transformação demográfica só tende a crescer. Projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o número de idosos que necessitarão de cuidados custosos de longa duração saltará de 5,1 milhões para 17 milhões até 2050.
Ao contrário de países europeus, que enriqueceram antes de ver sua pirâmide etária se inverter, o Brasil enfrenta essa transição com renda e produtividade ainda limitadas, o que amplia a pressão sobre as contas públicas.
Em 2025, o déficit da Previdência Social superou R$ 320 bilhões (2,6% do PIB). Ainda assim, o desequilíbrio não decorre apenas da demografia ou da sonegação.
Estudo da Equipe Tax Gap da Receita Federal mostra que o próprio desenho do sistema reduz sua eficácia. De cada R$ 100 de arrecadação potencial, só R$ 44 chegam aos cofres públicos.
Metade dessa diferença resulta de escolhas legais. Imunidades constitucionais e regimes especiais —os chamados "gaps de política"— respondem por R$ 28 não arrecadados. A sonegação tradicional subtrai R$ 22; litígios e contestações, outros R$ 6.








