De amistosos internacionais à MLS, país amplia investimentos, atrai grandes clubes e aposta na Copa de 2026 para consolidar o esporte Brasil enfrenta a França em amistoso em março de 2026 — Foto: FRANCK FIFE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 15:25 Evolução do Futebol nos EUA: De 1994 à Copa de 2026 com Messi Desde a Copa de 1994, os EUA têm investido no futebol, transformando-o em entretenimento de massa. A MLS, criada em 1996, impulsionou esse crescimento, que culmina com a Copa de 2026. A chegada de estrelas como Messi atraiu mais público, competindo com outros esportes americanos. Iniciativas como a FC Series e a exploração de estádios universitários ampliam o alcance do "soccer" no país. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os amistosos da Data Fifa desta semana mostram como os Estados Unidos vêm se transformando em uma das principais fronteiras de crescimento do futebol. Enquanto a seleção brasileira enfrenta o Egito em Cleveland, neste sábado, às 19h, e a seleção americana segue sua preparação para a Copa do Mundo de 2026, o país vive uma expansão sem precedentes do chamado "soccer", impulsionada por décadas de investimento, pela chegada de estrelas internacionais e pela força de um mercado que repetiu a receita do seu sucesso: transformou o futebol em entretenimento de massa. A transformação atual começou muito antes da chegada de Lionel Messi à MLS, em 2023. Ex-jogador universitário, Ricardo Villar, CEO da FC Series e um dos responsáveis por trazer grandes clubes e seleções ao território americano nos últimos anos, viu essa mudança acontecer gradualmente. Hoje, a Argentina enfrenta, seu seu craque que se recupera de lesão, Honduras, no Texas, com mais de 70% dos ingressos vendidos há semanas. — O crédito é todo da Major League Soccer. Desde a Copa do Mundo de 1994, os Estados Unidos criaram uma estrutura para desenvolver o futebol. A MLS nasceu em 1996 e passou a impulsionar o crescimento do esporte. Eu fiz universidade aqui, fui draftado para jogar e acompanhei essa evolução de perto. Ainda não estamos no nível da Europa, mas existe hoje um ecossistema muito mais estruturado — afirma. O executivo lembra que, durante anos, os americanos consumiram futebol principalmente por meio de amistosos internacionais e turnês de clubes europeus. Foi nesse cenário que surgiu a antiga Florida Cup, criada para explorar um mercado ainda pouco trabalhado. — Quando começamos a Florida Cup, percebemos que havia espaço para algo diferente. Trouxemos brasileiros e alemães para Orlando, uma cidade extremamente ligada ao turismo e que movimenta bilhões de dólares. Quando você traz grandes clubes, todo o ecossistema da cidade passa a viver aquela experiência — conta. O torneio cresceu rapidamente e sobreviveu até mesmo ao período da pandemia. Orlando foi escolhida como sede da bolha que permitiu a retomada da NBA e da MLS em 2020. Pouco depois, a competição passou por uma reformulação e se transformou na FC Series. — A ideia era expandir além da Flórida. Clubes como Chelsea, Arsenal, Manchester City, Real Madrid e Barcelona precisam atuar em mercados estratégicos como Nova York, Orlando, Ohio e Texas. O objetivo era transformar a Florida Cup em algo maior. A proximidade da Copa do Mundo de 2026 acelerou ainda mais esse processo. Em vez de trabalhar apenas com clubes, a FC Series passou a investir também em seleções nacionais dentro do projeto "Road to 2026". Os amistosos realizados em março foram considerados um sucesso, e os jogos deste mês seguem a mesma linha. Na última Data Fifa, o Brasil foi a New Jersey e Boston para enfrentar Croácia e França com a presença maciça da comunidade local. Hoje, em Cleveland, há o desafio de abrir a seleção brasileira para outros públicos, pois a cidade não tem muitos migrantes brasileiros. Mas nomes como Neymar (que não vai viajar para continuar o tratamento) e Vini Jr. atraem o torcedor jovem. — O apelo da seleção brasileira é muito forte. Já vimos isso em Orlando, Boston e até em Londres, onde colocamos mais de 58 mil pessoas para assistir ao Brasil contra Senegal. Em Cleveland, mais da metade dos ingressos já havia sido vendida antes mesmo da partida — afirma. Um dos diferenciais da estratégia foi abandonar parte dos grandes estádios da NFL e explorar a gigantesca infraestrutura universitária americana. — Percebemos que havia uma oportunidade nos estádios universitários. O estádio da Universidade do Texas, por exemplo, comporta mais de 100 mil pessoas. Em muitos casos, são arenas maiores que os estádios da Copa do Mundo ou da própria MLS — diz. Mais de três décadas depois de os Estados Unidos sediarem o primeiro grande evento de futebol no país, a mudança cultural também é significativa. Villar lembra que durante muito tempo o "soccer" sequer era visto como uma modalidade relevante nos Estados Unidos. — O futebol masculino praticamente não existia. Muita gente via o soccer como um esporte feminino. Hoje a MLS investe mais no masculino do que no feminino, e o sistema universitário continua sendo uma das principais bases de formação — explica. Mesmo assim, o futebol ainda disputa espaço com gigantes tradicionais do esporte americano. Mas os números já mostram a modalidade acima do beisebol. A chegada de Messi acelerou esse processo. Mais do que o impacto esportivo dentro de campo, o argentino ajudou a romper barreiras culturais. — Você vê Will Smith, Kim Kardashian e outras celebridades indo aos jogos. O americano gosta desse aspecto do espetáculo. O Messi ajudou a levar o soccer para outro patamar. Ele compete com NFL, NBA, beisebol e hóquei. Mas o consumo esportivo nos Estados Unidos é tão grande que o soccer não precisa ser o esporte número um para ser um enorme sucesso — argumenta. Apesar do crescimento acelerado, Villar acredita que a construção de uma cultura semelhante à encontrada na América do Sul ainda levará décadas: — A paixão não se cria da noite para o dia. Quem gosta de futebol aqui muitas vezes continua torcendo para um clube do Brasil, da Inglaterra ou da Espanha. A MLS ainda é muito ligada às estrelas, ao entretenimento. Hoje o Inter Miami é o Messi. A identidade do torcedor com os clubes locais ainda está sendo construída.
Da Copa de 1994 a Messi: A longa jornada do futebol para ganhar espaço nos EUA
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