Keiko Fujimori e o Roberto Sánchez concorrem à Presidência neste domingo, em um país assolado pela criminalidade e instabilidade política Roberto Sánchez (à esquerda) e Keimo Fujimori (à direita), candidatos à Presidência do Peru — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 15:57 Eleições no Peru: Fujimori e Sánchez encerram campanhas decisivas Keiko Fujimori e Roberto Sánchez encerram suas campanhas presidenciais no Peru, um país marcado por criminalidade e instabilidade política. Fujimori promete segurança e estabilidade, enquanto Sánchez defende uma mudança radical e acusa elites de corrupção. A disputa acirrada, com eleitores indecisos, reflete a insatisfação com a classe política após uma década de turbulência. O segundo turno será decisivo para os quase 27 milhões de eleitores. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A candidata de direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez encerraram suas campanhas na quinta-feira diante de milhares de apoiadores para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, em um Peru assolado pela criminalidade e instabilidade política. Em meio a gritos de "Keiko para presidente", Fujimori, filha do ex-presidente autocrático Alberto Fujimori (1990-2000), pediu aos peruanos que votassem para "evitar o caos e o retrocesso". — Queremos um governo que nos traga paz, que restaure a ordem! Queremos um governo confiável (...) Não os decepcionarei — disse Fujimori, administradora de empresas de 51 anos que concorre à Presidência do Peru pela quarta vez consecutiva. Mérida Delgado, de 65 anos, disse à AFP no comício que temia que uma vitória da esquerda pudesse levar o Peru ao mesmo caminho da Venezuela ou de Cuba: — Não podemos deixar que eles vençam com o comunismo e o terrorismo. "Abaixo a mafiosa, abaixo o fujimorismo!", gritou Sánchez, que, como fez durante toda a campanha, usava o chapéu de camponês que lhe fora dado pelo ex-presidente Pedro Castillo, preso por uma tentativa fracassada de golpe de Estado. — Estes últimos anos têm sido caóticos. Esta será a quarta derrota de Keiko. Vivi durante o governo do pai dela, que foi marcado pela corrupção total — disse à AFP Cristina Sotomayor, administradora de 63 anos e uma das apoiadoras de Keiko no comício. A candidata à Presidência do Peru pelo partido Força Popular, Keiko Fujimori, acena para seus apoiadores durante o comício de encerramento de sua campanha em Lima, em 4 de junho de 2026 — Foto: ANTHONY NINO DE GUZMAN / AFP A poucos dias da votação, a última pesquisa, realizada há cinco dias, mostra os dois candidatos praticamente empatados, com um quinto do eleitorado indeciso, cansado da turbulência política vivenciada com oito presidentes em uma década. O primeiro turno, marcado por problemas técnicos e alegações de fraude, com cerca de 30 candidatos, refletiu a frustração generalizada com a classe política peruana. Fujimori e Sánchez, juntos, não conseguiram atingir sequer 30% dos votos. Massacre e extorsão Roberto Sánchez, candidato à presidência do Peru pelo partido Juntos por el Peru, acena para seus apoiadores durante o comício de encerramento de sua campanha em Lima, em 4 de junho de 2026 — Foto: AFP Sánchez se apresenta como a voz dos eleitores pobres e das áreas rurais, prometendo uma "mudança radical" e acusando as elites e o Parlamento de serem responsáveis ​​pela instabilidade. Os apoiadores de Keiko lembram que seu pai derrotou os guerrilheiros que devastaram o país nas décadas de 1980 e 1990 e estabilizou a economia, enquanto seus detratores lembram de sua condenação por corrupção e violações dos direitos humanos. — Nós representamos o progresso, eles representam a regressão — disse Fujimori, a quem os peruanos chamam de "a mulher chinesa" por causa de seus olhos amendoados. Keiko promete uma política firme contra a insegurança em um país que registrou um aumento de 20% nas denúncias de extorsão em 2025 em comparação com o ano anterior. — O dia a dia no Peru pode ser assustador: há muita criminalidade e muitos assassinatos. Extorsão, assassinatos, dinheiro para proteção... — disse Raúl Porras, um agricultor de 52 anos, no protesto. Lima registrou 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais do que cinco anos antes, de acordo com dados oficiais. Em seu discurso de encerramento de campanha, Sánchez atribuiu a criminalidade desenfreada à corrupção. — É por isso que vamos propor a pena de morte para os corruptos — declarou, referindo-se ao seu plano de impedi-los de ocupar cargos públicos. Dagni Espinoza, uma enfermeira de 42 anos que chegou vestida com seu traje tradicional andino, disse esperar que Sánchez "acabasse com os assassinatos e a extorsão". — Temos medo de morrer atingidos por uma bala perdida — acrescentou. Apesar da instabilidade, a economia peruana é estável. O próximo presidente terá que lidar com um Congresso dividido e uma profunda desconfiança pública em relação ao governo. Cerca de 27 milhões de peruanos foram convocados para votar no segundo turno das eleições, em um país onde o voto é obrigatório.