Tanto Keiko quanto Sánchez têm um passado conhecido na política peruana. A conservadora, que terminou o primeiro turno na liderança, com 17,17% dos votos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que passou 16 anos na prisão por violações de direitos humanos cometidas durante o governo dele. O legado de Fujimori ainda divide o país. Enquanto parte da população afirma que o governo trouxe estabilidade ao Peru na década de 1990, críticos dizem que a gestão foi autoritária. O ex-presidente morreu em 2024, aos 86 anos. Agora no g1 Esta é a quarta vez que Keiko tenta se eleger presidente. Em todas as disputas, ela chegou ao segundo turno. Nas campanhas anteriores, buscou se afastar da imagem do pai. Desta vez, porém, tem abraçado políticas públicas adotadas durante o governo dele. Sánchez, por sua vez, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, deposto e preso em 2022 sob acusação de tentativa de golpe. Ele recebeu 12,03% dos votos no primeiro turno e superou o terceiro colocado por uma margem de 21 mil votos. O candidato de esquerda defende um novo começo para o Peru, inclusive com a elaboração de uma nova Constituição — a atual foi criada justamente durante o governo Fujimori. 👉 Veja a seguir o que defende cada um dos candidatos. Uma nova Keiko A candidata conservadora à Presidência do Peru, Keiko Fujimori, em 17 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Alessandro Cinque Aos 51 anos, Keiko Fujimori está na política desde a adolescência. Formada em administração de empresas nos Estados Unidos, ela foi eleita para o Congresso em 2006 com a maior votação já registrada para um parlamentar peruano. A candidata também passou anos sob investigação por suposto financiamento irregular de campanha. O caso foi arquivado no ano passado. Entre 2018 e 2020, ela foi mantida duas vezes em prisão preventiva e passou quase um ano e meio na cadeia. Keiko tem se apresentado como a candidata mais capaz de restaurar a ordem e a estabilidade no Peru. Na campanha, ela tem explorado o contexto de violência vivido pelo país, marcado pelo aumento dos homicídios e das extorsões. A preocupação dos eleitores com a segurança criou uma espécie de nostalgia do estilo de governo de Alberto Fujimori. Na década de 1990, ele derrotou guerrilheiros do grupo Sendero Luminoso com apoio das Forças Armadas.Nessa onda, Keiko promete medidas de segurança rígidas, leis antiterroristas mais duras e um papel ampliado para os militares no combate à violência. Ela afirma que travará uma "guerra frontal" contra o crime. "Trabalharemos com instituições financeiras (...) para identificar, rastrear e bloquear dinheiro proveniente de extorsão", disse. O discurso mais duro e o alinhamento a algumas ideias do pai foram vistos como o surgimento de uma "nova Keiko". Ainda assim, o partido faz questão de diferenciá-la de Fujimori, apresentando-a como uma candidata mais democrática. A nova estratégia ajudou Keiko a reduzir os altos índices de rejeição que marcaram as campanhas anteriores. Segundo o Ipsos Peru, 40% dos eleitores afirmam que não votariam nela de jeito nenhum. O índice é menor que o registrado no primeiro turno, quando chegou a 59%. Além do combate à violência, Keiko promete criar programas sociais voltados às famílias mais pobres, incluindo o pagamento de um auxílio. Recomeço para o Peru O candidato de esquerda para a Presidência do Peru, Roberto Sánchez, em 17 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Alessandro Cinque Aos 57 anos, Roberto Sánchez foi quase uma zebra nas eleições peruanas. Poucas semanas antes do pleito, ele aparecia nas pesquisas com cerca de 7% das intenções de voto. O candidato de esquerda cresceu ao longo da campanha e avançou para o segundo lugar na reta final da apuração. Criado em uma família indígena com raízes no sul do Peru, Sánchez diz ter tido uma educação modesta. Em entrevistas, contou que chegou a cogitar seguir a vida religiosa e se tornar padre. Ele atribui o início da trajetória política ao trabalho social ligado à Igreja. O candidato costuma aparecer em público com um chapéu de palha usado por camponeses da região andina de Cajamarca, conhecido pela aba larga e pela copa alta. O acessório era usado pelo ex-presidente Pedro Castillo, que está preso. Sánchez visita Castillo com frequência na prisão e afirma que concederá indulto ao ex-presidente caso seja eleito. No entanto, ele nega que devolverá o poder ao aliado. Entre as principais promessas está a criação de uma nova Constituição. Segundo ele, o país precisa de um novo começo. O candidato defende maior supervisão estatal sobre os recursos naturais e a criação de impostos sobre grandes fortunas.Ele também propõe mudanças profundas no combate à corrupção, incluindo penas mais severas, proibição vitalícia de ocupar cargos públicos e uma reforma do sistema judiciário. Sánchez ainda quer que as Forças Armadas apoiem a polícia no enfrentamento do crime organizado. "Assassinato, insegurança e corrupção são um único problema", disse. "E a luta deve ser total." Ele afirma ainda que, como católico, apoia o aborto apenas em casos de estupro ou quando a vida da gestante está em risco. Também se opõe a qualquer forma de discriminação com base na orientação sexual, raça ou religião. O candidato também é alvo de polêmicas. Um promotor peruano o acusou de prestar declarações falsas em processos administrativos e de falsificar informações relacionadas a contribuições de campanha. O Ministério Público chegou a pedir a prisão dele.
Quem são os candidatos na eleição presidencial do Peru | G1
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez têm ligações com governos passados peruanos. Pesquisas apontam cenário eleitoral indefinido.
Keiko Fujimori (17,17%) enfrenta Sánchez (12,03%) no segundo turno peruano com programas opostos sobre segurança, governance e reformas. O resultado molda a direção de intervenção estatal, governance regulatória e estabilidade para investimentos tech no país.













