Os mercados domésticos voltam do feriado de Corpus Christi com algum alívio nos ativos de risco globais, na esteira da queda dos preços do petróleo tanto ontem quanto na manhã de hoje, e de um novo cessar-fogo entre Israel e Líbano, que pode destravar uma retomada das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. É possível, assim, haver alguma distensão nos ativos domésticos, sobretudo após o forte estresse observado na quarta-feira no mercado de juros, quando houve uma piora aguda na percepção de risco que promoveu uma reprecificação relevante das taxas futuras. Ontem, a sessão em Wall Street foi de leve queda do dólar e dos rendimentos dos Treasuries, além de recorde do índice Dow Jones, enquanto ações de empresas de tecnologia ficaram para trás. É possível, assim, que os mercados domésticos ensaiem um “catch-up” após estarem fechados ontem. O movimento, porém, pode ter vida curta, já que o desempenho dos ativos globais na sessão deve ficar atrelado ao comportamento do mercado de trabalho dos EUA, já que a sessão reserva a divulgação, às 9h30, do relatório de empregos (“payroll”) referente a maio. A expectativa de consenso do mercado é de 80 mil empregos criados em maio em solo americano, manutenção da taxa de desemprego em 4,3% e alta de 0,3% do salário médio por hora no mês e de 3,4% em base anual. O “payroll” ganha ainda mais relevância no momento em que alguns dirigentes do Federal Reserve (Fed) começam a falar abertamente sobre a possibilidade de um aperto nas condições monetárias caso as pressões inflacionárias persistam. Caso o mercado de trabalho nos EUA continue a mostrar resiliência, é possível que o mercado mantenha os prêmios de alta de juros contidos na curva americana. Nesta manhã, inclusive, a dinâmica dos ativos locais é bastante tranquila, justamente com os agentes à espera do “payroll”: o índice DXY do dólar recua 0,25%, aos 99,166 pontos, enquanto a taxa da T-note de dez anos operava praticamente estável, a 4,479%.