“Amo muito vocês, viu? Que Deus proteja cada um de vocês.” É difícil assistir sem sentir um aperto no peito ao vídeo que o caminhoneiro Rael Evangelista enviou à mulher e aos três filhos minutos antes de tirar a própria vida, em outubro, após ter perdido 10 mil reais em apostas no Jogo do Tigrinho. A tragédia aconteceu em Jardim do Seridó, no Rio Grande do Norte, onde seu corpo foi encontrado. O desespero que o levou ao suicídio é um caso extremo a refletir um problema que hoje aflige milhões de brasileiros: a dificuldade em lidar com o vício no jogo e administrar o inevitável endividamento.
A derradeira mensagem de Evangelista foi postada nas redes sociais pelo movimento “Block no Tigrinho”, lançado por artistas reunidos no 342 Artes, liderado pela empresária Paula Lavigne, esposa de Caetano Veloso. Após a postagem, na noite da terça-feira 2, de um vídeo-jogral em que artistas como o próprio Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, Emicida, Marieta Severo, Letícia Sabatella e Cláudia Abreu pedem um block nas apostas, a página do grupo no Instagram, criada no fim de maio, pulou de 16 mil para 41,2 mil seguidores em apenas 15 horas, um engajamento que não para de crescer e que, até o fechamento desta edição, já contava com mais de 50 mil seguidores: “O Tigrinho promete sorte, diversão, riqueza e mudança de vida, mas só traz dívidas e desespero para milhões de famílias”, alertam os artistas.













