Vendidas como entretenimento, as apostas esportivas são frequentemente encaradas pelo público como uma forma de fazer o dinheiro render. Em 2023, uma pesquisa da ANBIMA e do Datafolha indicou que, entre os apostadores brasileiros, 40% apontavam a chance de ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade como motivo para jogar; outros 39% citavam a expectativa de obter uma grande quantia. Diversão e emoção apareciam atrás.

É justamente aí que se instala uma das contradições da explosão das bets no Brasil. A regulamentação federal proíbe anúncios que apresentem apostas como caminho para enriquecer ou complementar a renda. Ainda assim, as plataformas ocuparam espaço central no espetáculo esportivo e na publicidade cotidiana. Cada partida carrega, também, um convite ao risco.

As apostas esportivas foram legalizadas no país em 2018. Desde 2025, apenas empresas autorizadas podem operar nacionalmente. A regulação, porém, não encerrou o debate. Ao contrário: deslocou a discussão para os efeitos que esse mercado já produz sobre saúde mental, endividamento, relações familiares e a própria cultura esportiva.

A Copa do Mundo de 2026 escancarou essa onipresença. A Betano patrocinou a cobertura da Globo; a Betnacional entrou nas transmissões e nas ações de pré-jogo de SBT e N Sports. Na CazéTV, ações promocionais de casas de apostas exibidas durante as partidas levaram a Senacon a abrir investigação sobre possível publicidade irregular, como odds em tempo real para lances específicos das partidas.