Às vezes, o mar está tão calmo que o capitão Hassan Khan (nome fictício) chega a esquecer que o seu navio está parado há três meses no meio de uma zona de guerra.

"É estranho ver tudo aparentemente normal do lado de fora quando ninguém aqui dentro consegue ficar tranquilo", diz o marinheiro paquistanês, que prefere não revelar o nome verdadeiro.

Mas a normalidade é só aparente. Khan e outros 20 mil marinheiros estão presos no estreito de Hormuz ou em áreas próximas desde 28 de fevereiro, por causa da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O que antes era uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, por onde passava um quinto do petróleo e gás consumidos globalmente, agora está praticamente tudo parado, enquanto mísseis cruzam o céu e minas são espalhadas debaixo d'água.

Mesmo assim, a tripulação no navio capitaneado por Khan tenta manter a rotina de trabalho. No entanto, ninguém quer deixar o navio nas raras ocasiões em que é permitido desembarcar. As conversas descontraídas deram lugar a um silêncio tenso, quebrado apenas pelo barulho dos celulares. Qualquer som assusta a tripulação, até durante o sono.