Fontes americanas afirmam que Comando Central dos EUA está auxiliando embarcações a escaparem do bloqueio naval iraniano, usando rotas perto da costa de Omã Navio de bandeira de Gâmbia segue ancorado na entrada do Estreito de Ormuz — Foto: Amirhossein KHORGOOEI / ISNA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 10:27 EUA Orientam Navios Comerciais no Estreito de Ormuz em Meio a Tensão com Irã Nas últimas três semanas, o Comando Central dos EUA orientou cerca de 70 navios comerciais a cruzar o Estreito de Ormuz, em meio a tensões com o Irã. Esses navios, navegando perto de Omã e com transponders desligados para evitar detecção, buscaram rotas seguras fora do alcance iraniano. A assistência americana, mantida discreta para evitar retaliações, reflete a tentativa de manter o fluxo de comércio no Golfo Pérsico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Comando Central dos EUA (Centcom) orientou cerca de 70 navios comerciais a atravessar o Estreito de Ormuz, entrando e saindo do Golfo Pérsico, nas últimas três semanas, afirmou uma autoridade dos EUA ouvida pelo New York Times em condição de anonimato, em um momento em que fontes ligadas ao governo confirmam que os militares ajudaram a coordenar a passagem de dezenas de embarcações, em um momento em que o tráfego pela rota naval ainda é arriscado, em meio às negociações para o fim da guerra com o Irã. As autoridades se recusaram a informar que tipos de navios estavam realizando a travessia e quais rotas estavam sendo utilizadas, mas uma fonte indicou que pelo menos uma das rotas não passava perto da costa iraniana — Washington considera que embarcações que navegam perto do Irã sem aprovação de Teerã enfrentam risco de ataque quase certo por drones ou mísseis iranianos. Analistas do setor marítimo afirmam que as travessias guiadas pelos EUA parecem seguir rotas mais próximas de Omã. Autoridades americanas acrescentaram que a maioria das embarcações desligou os transponders para evitar detecção ao atravessar a passagem marítima. Antes dos ataques de EUA e Israel contra o Irã no final de fevereiro, mais de 100 navios atravessavam o estreito diariamente. Portanto, as passagens coordenadas pelos EUA — uma média de três por dia ao longo de três semanas — não representam uma grande retomada do transporte marítimo. Além disso, como essas travessias ocorrem com os transponders desligados, prática conhecida como navegação "às escuras", analistas do setor afirmam que não conseguem verificar de forma independente quantas delas realmente ocorreram. Ainda assim, um fluxo constante de navios sob orientação dos EUA sugere que algumas companhias estão dispostas a correr riscos para entrar e sair do Golfo Pérsico, onde muitas embarcações ficaram retidas por semanas, acumulando prejuízos e deixando suas tripulações em condições difíceis. A rota coordenada pelos EUA também oferece uma alternativa para empresas que não desejam obter autorização do Irã nem pagar taxas para realizar a travessia. Estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb — Foto: Editoria de Arte Na semana passada, autoridades americanas afirmaram que Irã e EUA estavam próximos de chegar a um acordo que reabriria o estreito, por onde passava um quinto do petróleo mundial e uma parcela significativa do gás natural antes da guerra. No entanto, no domingo, autoridades em Washington disseram que o presidente Donald Trump endureceu os termos de uma proposta de acordo. No início de maio, Trump anunciou uma grande operação militar, chamada Projeto Liberdade, para ajudar navios a atravessarem o estreito, mas encerrou a iniciativa rapidamente, em parte devido a objeções da Arábia Saudita. Desde então, o Centcom tem incentivado os navios a realizar a travessia, mas sem oferecer escolta naval direta. "Embora as forças dos EUA não estejam escoltando embarcações, continuamos a nos comunicar e coordenar com navios comerciais que buscam transitar livremente e com segurança pelo Estreito de Ormuz, um corredor internacional crítico para as economias regional e global", afirmou o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central, em comunicado divulgado no sábado. Videográfico: como minas marítimas do Irã podem bloquear o Estreito de Ormuz As embarcações que utilizam a rota americana ainda correm o risco de serem atacadas pelo Irã, que afirma controlar a via marítima. Autoridades americanas dizem que esse risco é exagerado e têm procurado orientar navios dispostos a realizar uma passagem segura. Embora essa assistência seja conhecida nos círculos do setor marítimo, autoridades dos EUA reconhecem que ela não foi amplamente divulgada para evitar que o Irã passe a mirar embarcações que atravessem a região sob orientação americana. Noam Raydan, pesquisadora sênior do Instituto Washington para Política do Oriente Médio, afirmou que o total de 70 travessias coordenadas pelos EUA foi maior do que ela esperava. Como as passagens ocorreram com os transponders desligados, Raydan disse que levará tempo para confirmar quantas embarcações realmente coordenaram suas travessias com militares americanos. "E duvido que os nomes sejam divulgados, especialmente se algumas empresas temerem uma resposta futura do Irã por terem coordenado suas operações com os EUA", escreveu a pesquisadora em um e-mail. Em meados de abril, os Estados Unidos iniciaram um bloqueio contra navios que haviam visitado portos iranianos. Até o momento, segundo o Comando Central, essa operação, realizada no Golfo de Omã, redirecionou 116 embarcações. O esforço reduziu significativamente as exportações de petróleo do Irã. Ainda assim, o Irã continua exercendo influência considerável sobre o estreito. Muitos navios seguem utilizando a rota que passa próxima à costa iraniana, indicando que empresas e governos continuam coordenando suas travessias com Teerã. Das 895 travessias registradas entre 1º de março e 19 de maio, pouco mais da metade foi realizada pela rota próxima ao Irã, de acordo com a Kpler, empresa especializada em dados marítimos. Cerca de 40% ocorreram por rotas desconhecidas ou "às escuras".
Militares dos EUA guiaram cerca de 70 navios comerciais por Ormuz em três semanas, segundo autoridades
Fontes americanas afirmam que Comando Central dos EUA está auxiliando embarcações a escaparem do bloqueio naval iraniano, usando rotas perto da costa de Omã













