O Comando Central dos EUA (Centcom) coordenou a passagem de 70 navios comerciais pelo Estreito de Ormuz nas últimas três semanas, segundo relatos de autoridades americanas ao New York Times. A navegação pela hidrovia, por onde passa cerca de 20% de todo petróleo e gás natural comercializados globalmente, ainda sofre riscos em meio ao impasse das negociações para um acordo de paz entre Washington e Teerã. Além disso, a maioria dos navios desligou seus equipamentos de rastreamento para evitar ser detectada durante a travessia de Ormuz, acrescentaram as autoridades dos EUA ao jornal. As fontes se recusaram, porém, a dizer quais tipos de embarcações completaram a travessia, bem como qual rota foi utilizada, embora uma delas tenha indicado que uma das rotas não era próxima ao litoral iraniano – uma vez que navios que navegam perto do Irã sem autorização do país persa estão sujeitas a ataques de drones e mísseis, conforme autoridades americanas. Embora Washington esteja ajudando navios a cruzar o Estreito, a iniciativa ainda não provocou uma retomada significativa do tráfego marítimo, já que antes do conflito, iniciado em 28 de fevereiro, mais de 100 navios comerciais cruzavam a via marítima diariamente, enquanto hoje, com a ajuda americana, uma média de três navios por dia passam pela hidrovia. Analistas do setor ouvidos pelo NYT disseram não poder verificar de maneira independente o número de travessias devido ao uso de sistemas de rastreamento desligados.. As perspectivas de um acordo para reabrir Ormuz ainda sofreram um revés após o presidente Donald Trump endurecer os termos das negociações com o Irã, segundo autoridades americanas, conforme disseram autoridades dos EUA no último domingo. Na semana passada, tanto autoridades americanas quanto iranianas disseram que Washington e Teerã estavam próximos de chegar a um acordo preliminar que previa, entre os pontos, a reabertura do Estreito. Após encerrar o Projeto Liberdade, lançado no início de maio por Trump com o objetivo de facilitar a travessia de navios por Ormuz, os EUA passaram a apenas a incentivar e orientar embarcações a realizarem a passagem pela hidrovia, sem fornecer escolta naval. Em comunicado divulgado no sábado, o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, afirmou que, embora as forças americanas não estejam fornecendo escolta, continuam se comunicando e coordenando com navios comerciais que buscam transitar de forma livre e segura pelo Estreito de Ormuz, descrito por ele como um corredor internacional crítico para as economias regional e global. As embarcações que utilizam a rota americana, entretanto, ainda correm o risco de ser atacadas pelo Irã, que afirma controlar a hidrovia. Um navio porta-contêineres de propriedade da francesa CMA CGM, por exemplo, foi atacado realizando a travessia durante o Projeto Liberdade. O Centcom, por sua vez, alegou que o navio não seguiu determinadas diretrizes. Em meio às dificuldades, dois navios que navegavam sob bandeira marítima americana cruzaram o estreito durante o Projeto Liberdade. Uma operação americana lançada em abril pelos EUA para interceptar navios com passagem por portos iranianos já redirecionou 116 embarcações, segundo o Centcom, e enfraqueceu o fluxo de petróleo iraniano para os mercados internacionais. Apesar da pressão americana, o Irã mantém influência sobre Ormuz: das 895 travessias registradas entre 1º de março e 19 de maio, pouco mais da metade utilizou a chamada rota iraniana, conforme dados da empresa marítima Kepler. Cerca de 40% seguiram por rotas desconhecidas ou realizaram travessias “às escuras”. Embarcações no Estreito de Ormuz são visíveis perto da praia de Bandar Abbas, Irã, em 31 de maio de 2026. — Foto: Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS