Em meio à pressão popular e às vésperas da campanha eleitoral, pelo menos três senadores recuaram no apoio à proposta de emenda à Constituição apresentada pela oposição bolsonarista no Senado como uma alternativa à PEC do fim da escala 6×1 aprovada pela Câmara.

Retiraram seu endosso ao texto Zequinha Marinho (Podemos-PA), Cleitinho (Republicanos-MG) e Romário (PL-RJ) — os dois primeiros disputarão cargos públicos neste ano. O recuo, contudo, é apenas simbólico e não interfere no andamento da proposta.

De autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), a proposta alternativa busca flexibilizar a jornada de trabalho com o pagamento por hora trabalhada e mediante acordos individuais entre empregado e patrão. A matéria tramitará de forma conjunta com a proposta dos deputados, a criar uma escala de 40 horas semanais, sem redução salarial, após uma transição de 14 meses.

Em reação, parlamentares de esquerda iniciaram uma campanha nas redes contra a proposta bolsonarista, sob o argumento de que ela instituiria a jornada 7×0. Há também quem a defina como “PEC do Trabalho Escravo”. A ofensiva envolve as centrais sindicais, que têm cobrado a retirada de assinaturas dos parlamentares.

Ao comunicar o recuo, Zequinha escreveu em seu perfil no Instagram que a iniciativa da oposição “retira a presença do sindicato das negociações e isso a gente não pode admitir”. Ele concorrerá à reeleição.