A ideia de que a geração Z estaria se tornando mais conservadora do que os mais velhos ganhou força nos últimos anos, impulsionada por pesquisas realizadas em outros países e por fenômenos culturais como "Adolescência", a segunda série mais vista da história da Netflix.
Um novo estudo sugere que a história pode ser diferente —ao menos no Brasil.
Segundo o levantamento, realizado pela Quaest a pedido do instituto More in Common, embora a maioria dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos —faixa etária que concentra a maior parte da geração Z— se identifiquem como conservadores (68% entre os homens e 62% entre as mulheres), esses índices são menores do que os registrados entre as gerações mais velhas.
Na avaliação dos pesquisadores brasileiros, a discrepância entre o estudo brasileiro e os estrangeiros se deve às metodologias adotadas —no exterior, eles têm sido feitos, em geral, a partir de entrevistas virtuais, enquanto no Brasil foram realizadas entrevistas presenciais, com um esforço para abranger diferentes perfis da população.
Diretor-executivo do More in Common e professor de gestão de políticas públicas da USP (Universidade de São Paulo), Pablo Ortellado diz que pesquisas virtuais podem gerar distorções —principalmente no Brasil, devido às limitações de acesso à internet em determinadas regiões e entre diferentes classes sociais— e têm maior probabilidade de alcançar públicos que já se identificam ou se interessam pelo debate, o que pode gerar respostas enviesadas.







