A juíza Elizabeth Machado Louro afirmou na madrugada desta quinta-feira (4) que Monique Medeiros foi alvo de uma reação social "desproporcional e desmesurada", marcada por preconceitos de gênero, ao justificar a concessão de perdão judicial no processo pela morte de Henry Borel, 4.

A declaração foi feita durante a leitura da sentença do julgamento que condenou Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino de 4 anos.

O perdão a Monique, mãe da criança, foi concedido após os jurados entenderem que ela não teve dolo no homicídio da criança. Em sua decisão, a magistrada afirmou que a acusada foi vítima de uma cultura patriarcal que exige da mulher a figura da "mãe perfeita".

A juíza disse que, embora Monique não tenha sido acusada de agredir diretamente o filho e fosse descrita como zelosa, ela sofreu um "massacre" público e agressões até mesmo dentro do sistema prisional.

"Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho para o que de resto não contribuiu intencionalmente, viu-se alvo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar do completo desprezo pela dor do seu luto", disse.