Mais um grupo, formado por entidades empresariais, da sociedade civil, investidores e instituições financeiras, engrossou nesta quarta-feira (3) o coro contra a decisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de revogar a obrigatoriedade da divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, na semana passada. Instituto Clima e Sociedade (iCS), Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Denise Hills, conselheira da Rede Anbima de Sustentabilidade, Sandra Ornelas, diretora-gerente para a América Latina do Bank of America (BofA), e Roberto Luiz Leme Klabin, conselheiro da Klabin e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica, estão entre os 328 signatários de uma carta em defesa da retomada da obrigatoriedade do reporte para companhias abertas. Para eles, a mudança é um “retrocesso em relação a uma medida que significou um dos avanços mais relevantes da agenda de transparência corporativa construída pelo Brasil nos últimos anos”. O objetivo, afirmam, é sensibilizar a diretoria da CVM para que reconsidere a decisão. O grupo também pedirá uma audiência à CVM para discutir a revogação. “Trata-se de um posicionamento técnico e estratégico em favor de um mercado de capitais mais preparado para os desafios e oportunidades do nosso tempo. O Brasil foi pioneiro na adoção dos padrões ISSB e deve manter esse protagonismo”, afirmou Maria Netto, diretora-executiva do iCS, em comunicado oficial. Maria Netto, diretora executiva do iCS: Brasil foi pioneiro na adoção dos padrões ISSB e deve manter esse protagonismo — Foto: Rogerio Vieira/Valor O grupo afirma que a obrigatoriedade do reporte é fundamental para garantir a “comparabilidade das informações divulgadas ao mercado, fortalecer a gestão de riscos climáticos, ampliar a transparência corporativa e atrair investimentos para atividades alinhadas à transição para uma economia de baixo carbono.” Também nesta quarta-feira, Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais (Apimec), Conselho Federal de Contabilidade (CFC), a Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) divulgaram manifestos contra a revogação da exigência. A área técnica da CVM havia reafirmado a obrigatoriedade em fevereiro, em resposta ao pedido de adiamento da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) feito em dezembro. Em sessão extraordinária de regulação na semana passada, porém, o colegiado decidiu transformar o reporte em voluntário, sem indicar se a exigência voltaria a valer em algum momento no futuro, por meio da resolução CVM 244.
Empresários e 328 associações pedem que CVM retome obrigatoriedade de reporte sustentável
Grupo diz em carta que mudança é retrocesso e vai pedir à autarquia uma audiência para discutir revogação










