Michele Montenegro é filha de almirante-médico, irmã de desembargadora e sobrinha de banqueiro Michele Coelho Montenegro, a falsa advogada presa sob suspeita de fraude milionária na venda de obras de arte — Foto: Álbum de família RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 17:41 Socialite Carioca Michele Montenegro Presa por Fraude Milionária em Arte e Imóveis Michele Coelho Montenegro, integrante da alta sociedade carioca, foi presa em Ipanema sob acusação de fraude milionária em obras de arte e imóveis. Embora se apresentasse como advogada e tivesse conexões familiares influentes, Michele teria causado prejuízos superiores a R$ 2 milhões. Após sua prisão, foi exonerada de seu cargo na Casa Civil do Rio. O caso é mais um entre os muitos processos criminais que acumula. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Michele Coelho Montenegro não é uma mulher discreta. Pessoas de seu círculo de relacionamentos, que pediram para não ser identificadas, contam que ela frequenta a alta sociedade de Copacabana, embora, recentemente, tenha se mudado para Ipanema. Os próprios amigos não sabem ao certo qual é a sua profissão. Alguns dizem que Michele é advogada, mestra e até defensora pública. Outros garantem que ela é bióloga ou médica, como era o pai, o vice-almirante Marco Antonio Montenegro, que morreu de Covid-19, aos 81 anos, em 2021. Michele foi presa, nesta quarta-feira, em Ipanema, Zona Sul do Rio, durante a operação Tela Falsa, da Delegacia de Defraudações (DDEF), acusada de fraude milionária mediante estelionato. Segundo a polícia, o esquema consistia na venda fraudulenta de obras de arte e imóveis de alto valor, causando um prejuízo superior a R$ 2 milhões às vítimas. Após a prisão, o governo interino do estado exonerou a servidora imediatamente. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil, ela ingressou na gestão anterior, quando "ainda não existiam os procedimentos de compliance para nomeações". Ao tomar conhecimento da prisão, o estado publicou o ato de exoneração em edição extraordinária do Diário Oficial desta quarta-feira. O blog Segredos do Crime perguntou à assessoria do governo estadual qual era a função desempenhada por Michele, lotada na Casa Civil. De acordo com a pasta, Michele, que adotava o nome social Mia Montenegro, era assessora e "desenvolvia um projeto de educação ambiental e economia circular, voltado para os Palácios Guanabara e Laranjeiras, chamado Palácio Verde, com ênfase em sustentabilidade". Para isso, tinha um carro à sua disposição — um Logan —, que devolveu na tarde desta quarta-feira, após a prisão. Além de frequentar a alta sociedade, Michele vem de uma família com boa situação financeira. Até pouco tempo atrás, era sustentada pelo tio, o banqueiro Antonio Carlos de Oliveira Coelho, dono do Banco Vega, que sofreu intervenção do Banco Central. Ela chegou a morar em um apartamento dele, na Rua Ayres Saldanha, em Copacabana, com os dois filhos, mas depois decidiu se mudar para a mansão dele no condomínio Santa Helena, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste. Michele entrou na Justiça contra o tio alegando que ele queria expulsá-la do imóvel e teria trocado as fechaduras — que era dele. A situação entre os dois se deteriorou, com troca de xingamentos, até que ela deixou a casa. Michele também é irmã da desembargadora Jacqueline Montenegro, do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). Segundo fontes, as duas não se falam, embora já tenham sido muito próximas. A suspeita da fraude é, ainda, tia do ex-secretário de Administração Penitenciária — atualmente Secretaria de Polícia Penal (Seppen) — Raphael Montenegro. Ele também foi exonerado na gestão do ex-governador Wilson Witzel, acusado de não ter sido diligente quando um dos chefes do Comando Vermelho (CV) foi solto, em 2022. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), no entanto, chegou a trancar a ação penal contra o ex-secretário. Michele, ou Mia, gosta de frequentar lugares como o Country Club e o Iate Clube, por conta da herança social do pai, de quem consta como pensionista. Segundo amigos, ela costuma viajar para Europa, pelo menos, uma vez ao ano. Ela também é dona de uma organização não governamental, a Associação e Projeto Social de Volta ao Lar, criada em 2020, que segue ativa. O objeto social é vago: informa apenas que presta serviços de associação. Como foi a prisão Michele, ou Mia, se apresentava como pessoa de alto patrimônio e, dessa forma, teria convencido uma vítima a participar de supostos negócios. Ela foi encontrada em um apartamento na Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema, também na Zona Sul. Uma obra de arte foi localizada durante a ação, segundo a Polícia Civil, que descobriu seu envolvimento em um suposto esquema de estelionato e apropriação indébita ligado à negociação fraudulenta de obras de arte. Desde 6 de outubro do ano passado, ela estava nomeada como assessora da Secretaria Estadual da Casa Civil, com salário líquido de R$ 12 mil. Após tomar conhecimento da prisão, a pasta a exonerou. Outros processos Esse não é o primeiro caso em que ela responde por estelionato. Em 2008, no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), ela foi denunciada pelo Ministério Público por alugar um apartamento mobiliado e não pagar o aluguel nem outras contas por cerca de um ano. Além disso, foi acusada de usar cheques sem fundos para simular pagamentos e de ter se apropriado dos móveis do imóvel — chegando a colocar a própria mãe como fiadora no contrato. Segundo o site JusBrasil, Michele foi condenada por estelionato e recebeu pena de três anos de reclusão em regime semiaberto, além de multa. Foi, porém, absolvida das acusações de apropriação dos bens e de estelionato por emissão de cheques sem fundos: a Justiça entendeu que a emissão dos cheques integrava o estelionato principal, e não havia provas suficientes de que ela tivesse levado os móveis. O processo teve diversas movimentações e recursos até ser arquivado definitivamente. Michele acumula mais de 30 processos criminais e cíveis no Rio e em São Paulo. Na maioria, figura como ré. O blog procurou os parentes de Michele citados na reportagem, mas, até o momento, ninguém se pronunciou. Também procuramos o advogado da acusada e aguardamos retorno.