Existe uma magia que acontece a cada quatro anos no Brasil e não é a do apito inicial nem a do gol que para o país. Ela acontece antes, nas filas de banca, nas mesas de jantar, nos grupos de WhatsApp da família, num ritual simples que atravessa gerações sem perder um grama de encantamento: a abertura do pacotinho de figurinhas do álbum da Copa.
Eu observo isso em casa. Minhas filhas têm idades diferentes, vivem fases diferentes, se interessam por coisas diferentes, mas quando chega o pacotinho, têm a mesma expressão, a mesma expectativa, a mesma euforia na hora de abrir. O álbum reuniu as duas em volta da mesma mesa, com o mesmo objetivo, e isso vale mais do que qualquer coisa que eu pudesse planejar.
Isso me fez pensar em algo que mudou e merece ser comemorado: o futebol deixou de ser território exclusivamente masculino. Na minha infância havia o álbum de menino e o de menina, universos separados, como se a paixão pelo esporte precisasse de uma versão cor-de-rosa para ser aceita. Hoje o álbum é de todo mundo, meninas, meninos, adultos, avós, todos na mesma fila, todos com o mesmo brilho no olho.
Em um mundo onde tudo chega em segundos e a gratificação é instantânea, o álbum da Copa faz algo raro: ensina a esperar. A criança que chacoalha o pacotinho antes de abrir está vivendo uma experiência que nenhuma tela reproduz. Aprende, sem perceber, que nem tudo chega na hora que a gente quer e que a espera tem um sabor próprio.













