O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou nesta quarta-feira (3) que ainda é cedo para concluir que houve uma mudança estrutural no comércio entre Brasil e Estados Unidos em razão das tarifas. Segundo ele, os fluxos de comércio exterior levam tempo para se adaptar às novas condições de mercado. As exportações brasileiras para os EUA vêm registrando queda desde agosto do ano passado após a imposição de tarifas pelo governo americano. No mês passado, as vendas para os EUA tiveram uma queda de 14% em comparação ao mesmo período de 2025. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café. Tem um momento de aumento de custo, pode ser que cause retratação do fluxo, mas pode retomar rapidamente”, disse Brandão, em entrevista à imprensa. Ele explicou ainda que o aumento de 75,2% nas exportações de óleos combustíveis de petróleo da indústria de transformação em maio reflete os efeitos da guerra no Oriente Médio. O conflito tem provocado choques de oferta no mercado internacional de combustíveis, elevando os preços e impulsionando o valor das exportações brasileiras desses produtos. Em termos de valor exportado, a alta foi de 49,8% no período. Já a queda de 9,3% no valor exportado de óleos brutos de petróleo pela indústria extrativa, acompanhada de uma retração de 42,1% no volume embarcado, foi classificada por Brandão como um movimento pontual, associado à volatilidade natural desse mercado. Segundo ele, o resultado não está relacionado à alíquota de 12% do imposto de exportação incidente sobre o produto que foi criada pelo governo. “O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados. As empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo”, afirmou. Como exemplo, citou a entrada em operação, em fevereiro deste ano, de uma nova plataforma de produção de petróleo. Herlon Brandão, do Mdic — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
É cedo para falar de mudança estrutural em comércio com EUA por causa de tarifas, diz Brandão
"Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta", afirmou o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic














