Com a manifestação da CGTP a escassos metros da residência oficial do primeiro-ministro, Luís Montenegro seguiu a linha inaugurada logo pela manhã pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: desvalorizar. Sublinhando que a “esmagadora maioria dos portugueses quis” e “está” a trabalhar, o primeiro-ministro apelou à reflexão sindical sobre os ganhos da paralisação: “Esta greve geral não trouxe nenhuma novidade e nenhuma solução.” Sobre a reforma laboral, esta quarta-feira agendada para dia 18, Luís Montenegro reiterou disponibilidade para aproximações aos partidos “num ou outro ponto”.A reacção do chefe do Governo ainda não era certa, mas aproveitando o resultado da eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, Luís Montenegro ignorou o tema na intervenção inicial. Na resposta a perguntas da comunicação social, o líder do executivo começou por constatar que, de forma geral, “o sector privado não teve grande perturbação”, falando em “índices de adesão que são muito, muito reduzidos”. Isto, de acordo com a informação que o executivo disse ter recebido da parte das confederações patronais. Já no caso da administração pública, o primeiro-ministro aponta aos 23%.Dito isto, Montenegro partiu já para uma fase de rescaldo. “O Governo ouve tudo aquilo que se diz, ouve tudo aquilo que são manifestações de posição vindas de todo lado, mas os portugueses não me levarão a mal, nem aqueles que fizeram greve, que eu possa constatar em nome do Governo que esta greve não trouxe nenhuma novidade e também não trouxe nenhuma solução”, afirmou.Referindo as “muitas famílias prejudicadas indirectamente por causa desta greve”, Luís Montenegro apelou a uma “reflexão” da parte das estruturas sindicais – “com todo o respeito” – quanto “àquilo que é o propósito e, depois, as consequências e o resultado deste tipo de jornadas de luta”.“A consequência desta greve, no final deste dia, parece-me que passou apenas por prejudicar a vida de muita gente, porque as posições políticas que queriam ser transmitidas já eram conhecidas, já eram afirmadas por estas estruturas há bastante tempo”, asseverou.Reforma laboral segue dentro de momentosHoras antes, a Conferência de Líderes agendou a discussão na generalidade da reforma laboral para dia 18 de Junho e, como o PÚBLICO escreveu, com o executivo a tentar que a discussão fosse feita com a menor das grelhas de tempo. A oposição não deixou, mas o agendamento foi mesmo para a frente com a anuência do Chega.Sendo este o motivo principal da greve geral, Luís Montenegro foi questionado sobre se não era provocação fazer o agendamento enquanto decorria a paralisação. “Francamente, aquilo que resulta da questão que me coloca é de que a democracia está a funcionar, a Assembleia da República terá a discussão da proposta de lei do Governo e a nossa convicção é que o Parlamento tenha agora a possibilidade e a responsabilidade de poder contribuir com as suas posições”, disse o primeiro-ministro, não cedendo em comentários políticos.Mas eles viriam. Desde logo, com a crítica àquela que chama de auto-exclusão de alguns partidos nesta discussão – ou seja, o PS. “À partida, nós não excluímos ninguém, mas sabemos que há várias forças políticas no Parlamento que se auto-excluíram e que estão indisponíveis para percorrer este caminho”, sublinhou o chefe do executivo garantido que não deixarão de “falar com todos”.Em contexto partidário, quando apresentou a moção estratégica de recandidatura à liderança do PSD, Luís Montenegro deixou claro que este é o tempo de assumir posições. Falando genericamente sobre as reformas, atirou: “Nós vamos forçar a decisão, os partidos e os políticos vão ter de se revelar no momento de votar as transformações, porque não é por falta de oportunidade que vamos ficar sem esse debate.”No entanto, questionado agora se o Governo vai ou não forçar a votação da reforma na generalidade, Montenegro considera ser “manifestamente extemporâneo estar a tomar posição sobre isso”. “A dinâmica parlamentar tem as suas incidências, neste momento o Governo cumprirá a sua missão, que é apresentar na generalidade a proposta de lei”, notou, dizendo que o executivo está “inteiramente disponível” para “poder esclarecer, interagir, aproximar posições”. “Eventualmente, para modificar um ou outro ponto da proposta que seja susceptível de uma aproximação com as posições dos partidos na Assembleia da República”, concluiu.