Uma segunda greve geral em seis meses interrompeu serviços em todo Portugal nesta quarta-feira (3), com paralisação de trens, cancelamento de centenas de voos e fechamento de escolas, enquanto sindicatos protestam contra os planos de reforma trabalhista do governo. O governo minoritário de centro-direita de Portugal deve aprovar, com apoio do partido de extrema direita Chega, um projeto que altera mais de 100 artigos do Código do Trabalho. A proposta busca aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento econômico após o fracasso das negociações com os sindicatos. Tiago Oliveira, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), a maior central sindical do país e organizadora da greve, afirmou à Reuters que a reforma piorará as condições de trabalho ao consolidar formas precárias de emprego, flexibilizar jornadas, facilitar demissões e restringir o direito de greve e as proteções parentais. Segundo Rodrigo Azevedo, funcionário bancário de 30 anos, a reforma deixará os trabalhadores mais jovens “presos a contratos precários para o resto da vida”, obrigando-os a trabalhar 50 horas semanais sem remuneração adicional, em vez das atuais 40 horas, além de facilitar sua substituição por mão de obra terceirizada mais barata. “O pacote trabalhista representa uma grande ameaça não apenas para o futuro dos jovens trabalhadores, mas também para o nosso presente”, afirmou. A companhia ferroviária estatal CP suspendeu os trens de longa distância e a maior parte dos serviços regionais, enquanto o metrô de Lisboa interrompeu suas operações. Passageiros entram na estação de metrô do aeroporto e passam por um aviso informando que, devido a uma greve, o serviço será interrompido, no início de uma greve geral de 24 horas contra um novo pacote de reformas trabalhistas anunciado pelo governo de centro-direita, em Lisboa, na noite de terça-feira, 2 de junho de 2026 — Foto: Armando Franca/AP Escolas fecharam em todo o país devido à falta de funcionários, e hospitais adiaram a maioria das cirurgias e consultas após uma paralisação dos profissionais de enfermagem. A companhia aérea TAP informou que operará apenas 79 dos mais de 300 voos diários habituais nesta quarta-feira, enquanto a espanhola Iberia prevê uma redução entre 50% e 75% de suas operações. A reforma prevê facilitar demissões por justa causa, permitir que empresas se recusem a reintegrar trabalhadores dispensados ilegalmente mediante pagamento de indenização e eliminar limites à terceirização. Uma greve anterior, realizada em dezembro, foi a primeira paralisação geral no país desde os protestos contra as medidas de austeridade em 2013.
Greve contra reforma trabalhista em Portugal paralisa trens, reduz voos e fecha escolas
Projeto prevê facilitar demissões por justa causa e permitir que empresas se recusem a reintegrar trabalhadores dispensados ilegalmente mediante pagamento de indenização










