A segunda greve geral em seis meses interrompeu serviços em Portugal nesta quarta-feira (3), paralisando trens, cancelando centenas de voos e fechando escolas, enquanto sindicatos protestavam contra os planos de reforma trabalhista do governo.

O governo minoritário de centro-direita de Portugal deve aprovar um projeto de lei com apoio do partido de extrema-direita Chega, propondo mudanças em mais de 100 artigos do código trabalhista que visam aumentar a produtividade e impulsionar o crescimento, após o colapso das negociações com os sindicatos.A reforma prevê facilitar demissões por justa causa, permitir que empresas neguem a reintegração de trabalhadores em casos de demissão ilegal desde que paguem indenização, e eliminar limites para terceirização.

Tiago Oliveira, líder da CGTP, a maior central sindical de Portugal, que convocou a greve geral, afirmou que a reforma pioraria as condições dos trabalhadores ao consolidar o emprego precário, desregulamentar a jornada de trabalho, facilitar demissões e restringir o direito de greve e as proteções parentais.

A reforma deixaria os trabalhadores jovens "presos em contratos precários para o resto da vida", forçando-os a trabalhar 50 horas por semana sem pagamento extra, em vez das atuais 40 horas padrão, ao mesmo tempo em que facilitaria demiti-los e substituí-los por mão de obra terceirizada mais barata, afirmou o bancário Rodrigo Azevedo, de 30 anos."O pacote trabalhista é uma grande ameaça não apenas para o futuro dos jovens trabalhadores, mas para o nosso presente", comentou.