O governo federal ampliou, nesta quarta-feira (3), o acesso ao Brasil Soberano 2 para empresas afetadas pelo “tarifaço” dos Estados Unidos e pela guerra no Oriente Médio. Objetivo é permitir que um número maior de companhias tenha acesso às linhas de crédito. Em portaria conjunta, os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) reduziram de 5% para 1% o percentual mínimo de faturamento bruto decorrente de exportações exigido para acesso às linhas de financiamento do programa. Com a mudança, mais empresas passam a se enquadrar nos critérios de elegibilidade. A exigência vale tanto para empresas exportadoras quanto para fornecedores vinculados às cadeias. A medida já estava programada e não tem relação com o novo tarifaço que pode ser imposto ao país pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com eventual nova rodada de tarifas, interlocutores do governo avaliam que ainda seria necessário analisar o alcance das medidas para verificar se os instrumentos já previstos no Brasil Soberano 2 são suficientes ou se será preciso construir uma outra solução para atender os setores eventualmente afetados. Fontes acreditam ainda que o agravamento das tensões comerciais pode aumentar as chances de aprovação da medida provisória que instituiu o programa este ano. Como mostrou o Valor, a tramitação da MP enfrenta dificuldades no Congresso diante do elevado número de “jabutis” apresentados ao texto. O receio de integrantes do governo e do setor privado é que a MP perca a validade sem ser votada por falta de acordo em relação ao texto final e à inclusão de emendas, comprometendo a operacionalização de parte dos R$ 21 bilhões em crédito do BNDES previstos na iniciativa. No ano passado, por exemplo, o governo optou por não avançar com a medida provisória que criava linhas de crédito no âmbito do Plano Brasil Soberano 1 após a inserção de diversos "jabutis" durante a tramitação. À época, a equipe econômica avaliou que as alterações comprometiam os objetivos da proposta e ampliavam seu custo fiscal. A proposta no ano passado previa destinar até R$ 30 bilhões do superávit do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) para financiar empresas impactadas pelas tarifas. Com a perda de vigência da MP, houve uma sobra de cerca de R$ 5 bilhões, que foi aproveitada na nova rodada do programa lançada neste ano.