A Associação Brasileira de Câmbio (Abracam) divulgou carta defendendo o Pix, após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmar que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central recebe “tratamento preferencial injusto e discriminatório”. A entidade apontou que o Pix colaborou para a inclusão financeira de milhões de pessoas e que não canibalizou o mercado de cartões de crédito, que seguiu crescendo. "O Pix incorporou ao sistema financeiro uma base de usuários que anteriormente operava fora dele, criando condições para que essa mesma população acesse, progressivamente, produtos e serviços de crédito e pagamento oferecidos também pelas bandeiras [de cartões] internacionais. Além do impacto econômico, cabe destacar que a inclusão financeira promove a formalização das transações, o que contribui diretamente para a prevenção a ilícitos financeiros", diz a Abracam. A associação aponta também que o barateamento do acesso, a produção de dados e o consequente monitoramento de operações são instrumentos relevantes no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. E lembra que o Brasil é signatário dos principais acordos internacionais na matéria e tem demonstrado comprometimento contínuo com a adoção e o aprimoramento das melhores práticas. "Nesse contexto, é certo que a imposição de obstáculos ao comércio internacional gera maior fricção entre os mecanismos de monitoramento e controle de cada país, podendo estimular a migração de transações para canais informais, reduzir a rastreabilidade das operações e fragilizar os sistemas de pagamentos transfronteiriços. [...]. A associação entende que eventuais disparidades devem ser tratadas por vias técnicas, fundamentadas em evidências e em cooperação internacional, com enfrentamento inabalável do crime organizado, em proteção à integridade do sistema financeiro e em benefício da sociedade. — Foto: Bruno Peres / Agência Brasil