Os preços do petróleo avançam pela terceira sessão consecutiva nesta quarta-feira, à medida que novos ataques no Golfo Pérsico reduzem as chances de uma reabertura do Estreito de Ormuz no curto prazo. A persistência das tensões no Oriente Médio volta a alimentar preocupações com a inflação global, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano e deixando os futuros dos índices de Nova York sem direção definida. Segundo a Reuters, um ataque com mísseis iranianos danificou o aeroporto do Kuwait, enquanto forças americanas atingiram alvos próximos ao Estreito de Ormuz. Ao mesmo tempo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as negociações com o Irã avançam rapidamente e que o líder supremo do país, o aiatolá Mojatba Khamenei, participa das conversas em andamento. As mensagens divergentes reforçam a incerteza e tendem a aumentar a volatilidade dos mercados. Por volta das 8h10, o futuro do S&P 500 recuava 0,09% e o do Dow Jones cedia 0,30%, enquanto o do Nasdaq avançava 0,19%. Na renda fixa, o rendimento do Treasury de dez anos subia de 4,446% para 4,487%. Já os contratos mais líquidos do petróleo WTI avançavam 2,24%, para US$ 98,15 o barril, em Nova York, enquanto o Brent ganhava 2,35%, para US$ 95,99 o barril, em Londres. No Brasil, a piora do cenário externo acrescenta um novo elemento ao debate sobre a política monetária, levando parte do mercado a considerar uma pausa no ciclo de cortes da Selic já na reunião de junho. Para a equipe liderada pelo chefe de pesquisa econômica e ex-diretor do Banco Central Tiago Berriel, do BTG Pactual, a continuidade do afrouxamento monetário neste momento "aumenta o risco de potencializar esses choques, gerar desancoragem mais persistente das expectativas e comprometer, no futuro, a retomada da flexibilização para níveis mais razoáveis de juro". As preocupações inflacionárias também ganham força após a decisão dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos de países que, na avaliação de Washington, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, grupo que inclui o Brasil. O mercado ainda aguarda esclarecimentos se a medida será cumulativa à tarifa de 25% já proposta aos produtos brasileiros. No campo político, o mercado também acompanha a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que associou as ameaças comerciais dos Estados Unidos à atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar do anúncio das novas tarifas, os investidores deixaram o tema em segundo plano na sessão de ontem. Após cinco pregões consecutivos de perdas, o Ibovespa avançou mais de 1%, impulsionado principalmente pela valorização das ações da Vale. O real também ganhou terreno frente ao dólar, ainda que em menor intensidade do que a bolsa, com a moeda americana encerrando o dia em queda de 0,27%, a R$ 5,0088. Na agenda desta quarta-feira, os investidores acompanham a divulgação do relatório ADP de emprego nos Estados Unidos e dos dados de produção industrial de abril no Brasil.
Manhã no mercado: Petróleo sobe com escalada das tensões no Oriente Médio e reacende debate sobre pausa na Selic
Persistência das tensões no Oriente Médio volta a alimentar preocupações com a inflação global, impulsionando os rendimentos dos títulos do Tesouro americano










