O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira que os Estados Unidos voltarão a se engajar com a aliança global de vacinas Gavi, the Vaccine Alliance, em meio ao surto de ebola que afeta diversos países africanos. Rubio disse ao Comitê de Relações Exteriores do Senado que a decisão de retomar o diálogo foi tomada há algumas semanas, após o governo de Donald Trump ter retirado o financiamento destinado à Gavi no ano passado. A Gavi ajuda os países mais pobres do mundo a adquirir vacinas para proteger melhor as crianças contra doenças como sarampo e difteria, além de atuar na resposta a surtos epidêmicos. A organização disponibilizou US$ 50 milhões para o atual surto da variante bundibugyo do ebola na República Democrática do Congo e em Uganda, incluindo US$ 10 milhões para resposta imediata e US$ 40 milhões para acelerar o acesso a vacinas ainda em estágio inicial de desenvolvimento. O orçamento da organização, sediada em Geneva, sofreu um forte impacto em junho passado, quando o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., anunciou que o país deixaria de fornecer qualquer financiamento — cerca de US$ 300 milhões por ano — alegando que a Gavi ignorava questões de segurança. Kennedy, conhecido por seu ceticismo em relação às vacinas, não apresentou evidências para sustentar essa afirmação. Rubio afirmou que Kennedy teve papel central na definição dos próximos passos em relação à Gavi, mas que o Departamento de Estado decidiu retomar o engajamento porque “precisamos conduzir isso a um resultado”. Marco Rubio nesta terça-feira (2) durante depoimento ao Congresso americano — Foto: REUTERS/Evan Vucci “O Departamento de Estado decidiu, há algumas semanas, que voltaríamos a nos envolver nessa questão da Gavi, respeitando também a visão do HHS (Departamento de Saúde e Serviços Humanos) sobre o tema”, disse Rubio. “Gostaríamos de resolver essa questão de uma maneira aceitável tanto para o Congresso quanto para nossos objetivos em saúde global.” Além de cortar futuros repasses à Gavi, os EUA estavam retendo US$ 600 milhões referentes a dois anos de financiamento já aprovados pelo Congresso. Diversos senadores americanos vinham pressionando pela liberação desses recursos. Condições dos EUA A diretora-executiva da Gavi, Sania Nishtar, afirmou estar “muito encorajada” pelas declarações de Rubio. “A liberação dos recursos que o Congresso destinou à Gavi nos permitirá continuar protegendo o mundo contra ameaças de doenças infecciosas”, declarou em nota. Segundo ela, o trabalho da organização no combate ao surto de bundibugyo demonstra a importância dessa missão. Um dos principais pontos de divergência de Kennedy em relação ao financiamento da Gavi era o uso do conservante timerosal em vacinas. No início deste ano, os EUA informaram que a retomada do financiamento estaria condicionada à eliminação gradual das vacinas que utilizam esse conservante à base de mercúrio. Grupos antivacina, incluindo uma organização fundada por Kennedy, afirmam há décadas que o timerosal estaria associado ao autismo e a outros transtornos do neurodesenvolvimento, apesar de inúmeros estudos não terem encontrado problemas de segurança relacionados à substância. Na época, a Gavi declarou que decisões desse tipo caberiam ao seu conselho administrativo e reiterou que o timerosal é um ingrediente seguro. Porém, em maio, durante entrevista à Reuters na Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, Nishtar afirmou que a organização já vinha migrando para vacinas mais modernas, que oferecem proteção mais ampla e não contêm timerosal, antes mesmo da exigência de Kennedy. “Faríamos essa transição de qualquer forma, independentemente da exigência. Mas acontece que ela também atende à condição imposta por eles, e por isso estamos ansiosos para trabalhar em conjunto”, afirmou. Um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos informou que tanto o HHS quanto o Departamento de Estado estão mantendo contato direto com a Gavi. “Permanecemos cautelosamente otimistas de que as discussões em andamento possam gerar mais transparência, responsabilidade e um caminho construtivo adiante”, declarou o porta-voz.
EUA retomam engajamento com aliança de vacinas Gavi em meio a surto de ebola
País cortou o financiamento à Gavi, de cerca de US$ 300 milhões por ano, em 2025, devido à pressão de movimento antivacina nos EUA












