O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), disse nesta terça-feira (2) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 terá que passar pelas comissões da Casa e, portanto, não será enviada diretamente ao plenário. O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada. Em tom de desabafo, Alcolumbre lembrou que a proposta tramitou durante cinco meses na Câmara dos Deputados e que o Senado irá promover o debate “em tempo razoável”. Segundo ele, a Casa não será “carimbadora de projetos aprovados na Câmara”. Ele chegou a mencionar a possibilidade de o texto ser alterado pelos senadores, o que obrigaria uma nova deliberação pelos deputados. “Seria muito razoável se o Senado pudesse melhorar um texto com essa importância”, disse no plenário. De acordo com o presidente do Senado, é preciso ter ainda mais atenção quando temas delicados entram em discussão em ano eleitoral. “Em um ano de eleições gerais, muitas das vezes o que é razoável não pode vir à tona por causa da eleição”, afirmou. CPI do Banco Master Alcolumbre também falou sobre os pedidos de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar as fraudes no Banco Master. O presidente do Senado reagiu às críticas recebidas por parlamentares da base e da oposição por se recusar a dar andamento à CPI. "Eu passei quatro horas sendo agredido na sessão do Congresso Nacional, da direita à esquerda, porque eu não li requerimento de CPMI do Banco Master. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso", afirmou. Segundo ele, a abertura de uma comissão nesse momento faria da CPI um "palanque eleitoral". "Querem abrir mais uma CPI para fazer palanque eleitoral. Esse é o problema nosso. Estão cobrando o presidente Davi, agredindo, ofendendo e atacando para abrir mais um palanque eleitoral que não é para mim e nem para o Brasil. Não é para a direita ou para a esquerda. Não é para passar o Brasil a limpo, é para fazer campanha eleitoral", finalizou. Nos bastidores, a concretização de um colegiado investigativo como esse é improvável por conta da proximidade das eleições majoritárias no segundo semestre do ano. Não há disposição da cúpula do Senado ou da Câmara de instalar uma CPI.