O tarifaço americano anunciado nesta terça-feira (2) é um monumento à hipocrisia ao punir o Brasil por medidas que o próprio presidente Donald Trump põe em prática em seu país. Em combate a corrupção, discriminação contra empresas de internet, pagamentos eletrônicos e redução do desmatamento, os EUA de Trump fazem o mesmo que acusam o Brasil de fazer.
Ao justificar a tarifa de 25% contra o país, o relatório do USTR (Escritório de Comércio da Casa Branca) conclui que o Brasil não adota medidas suficientes para combater a corrupção e cita preocupações da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre propinas pagas em outros países.
Ora, uma das primeiras ordens executivas anunciadas por Trump neste seu segundo mandato foi a suspensão da Lei de Práticas Estrangeiras de Corrupção, em 10 de fevereiro de 2025. Alegando que a lei gerava burocracia e custos excessivos para empresas americanas com atuação em outros países, Trump pausou por seis meses a aplicação da legislação e anulou a metade das investigações que estavam em curso.
Em junho do ano passado, anunciou novas regras, mais brandas, para a aplicação da lei. A equipe na SEC (Comissão de Valores Mobiliários) encarregada das investigações foi reduzida de 35 para 10 pessoas.










