Antun Mrdeza, conhecido como “Nikola Boros”, é acusado de operar um esquema de tráfico na América do Sul; Justiça Federal determinou bloqueio e sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens e valores PF deflagra operação contra tráfico de drogas para Europa e África — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 13:24 Polícia Federal desmantela esquema de tráfico liderado por mafioso sérvio no Brasil A Polícia Federal realizou uma operação contra Antun Mrdeza, mafioso sérvio conhecido como "Nikola Boros", acusado de liderar um esquema de tráfico de drogas na América do Sul, aliado ao PCC e à máfia 'Ndrangheta. A Justiça bloqueou mais de R$ 631 milhões em bens. A operação, desdobramento da Operação Narco Vela, cumpriu mandados em SP, RS e PA, visando desmantelar a rede internacional de tráfico de cocaína. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (2/6), uma operação para desarticular um esquema especializado no tráfico internacional de drogas para países da Europa e da África, por rotas marítimas internacionais. Um dos alvos é o mafioso sérvio Antun Mrdeza, que usa o codinome “Nikola Boros”, acusado de operar um esquema de tráfico na América do Sul. Ele é apontado pelos investigadores como membro da máfia italiana ‘Ndrangheta, que teria se aliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Fontes internacionais e de inteligência apontam Mrdeza como integrante da "New Drug Trafficking Board", uma rede de capos da América Latina e Europa que movimenta os maiores carregamentos de cocaína do mundo. Segundo a PF, Mrdeza não era um mero intermediário. Ele era o proprietário de grandes cargas de drogas e exercia autoridade sobre os operadores brasileiros, ao exigir prestação de contas detalhada após apreensões policiais. Mrdeza é protagonista de uma fuga cinematográfica na Colômbia em 2023. Na ocasião, ele se evadiu do aeroporto de Rionegro em meio a disparos enquanto estava prestes a ser extraditado. Ele é considerado foragido da Justiça e, com a operação de hoje, seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A Operação Narco Sky é desdobramento da Operação Narco Vela, de abril do ano passado, que teve início a partir de uma comunicação do DEA de uma apreensão de 3 toneladas de cocaína em fevereiro de 2023, dentro um veleiro. Cerca de 30 policiais federais cumprem dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos, em endereços localizados nos estados de São Paulo, do Rio Grande do Sul e do Pará. Os investigadores chegaram ao esquema pela análise de dados telemáticos da plataforma criptografada SKY ECC, obtidos por meio de cooperação jurídica com autoridades francesas. Documento da PF descrevem pelo menos cinco eventos específicos de remessa de cocaína, realizados entre março e agosto de 2020, a partir de portos brasileiros. A Justiça Federal também determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens e valores. Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de tráfico internacional de drogas e de associação para o tráfico. Os envolvidos no esquema Os donos da droga: Antun Mrdeza (vulgo "Jhon Gotti", utilizava a identidade falsa de Nikola Boros): Cidadão sérvio apontado como um "mega narcotraficante internacional". Financiava remessas e disponibilizava ativos logísticos próprios, como o veleiro Mobydick. Alejandro Salgado Vega (vulgo "Tigre"): Narcotraficante espanhol de alta relevância, que mantinha residência em Dubai. Atuava como financiador e controlador econômico das operações, sendo coproprietário de diversas cargas de cocaína destinadas ao mercado europeu. Os articuladores logísticos: Marco Aurélio de Souza (vulgo "Lelinho" ou "Pirata"): Líder operacional em território brasileiro. Era o elo central entre os fornecedores estrangeiros e a estrutura local, coordenando a "equipe de água" responsável por inserir a droga nos navios nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). Pedro Alonso Camacho Fernandez (vulgo "Vince"): Colombiano que atuava como coordenador logístico transnacional. Servia de interface entre os financiadores internacionais e as equipes de execução, planejando inclusive o resgate das cargas em alto-mar na Europa. Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (vulgo "Fisherman"): Especialista em operações marítimas, responsável por cooptar tripulantes e executar a fase crítica de inserção física do entorpecente nas embarcações. Os executores: Klaus de Castro Rios Motta e Silva: Possuía elevado domínio técnico em navegação e manutenção náutica. Era responsável por preparar e adaptar embarcações para travessias transoceânicas a serviço do tráfico. Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (vulgo "Sapão"), Walter Pires Junior ("Waltinho") e Ivan de Freitas Santos: Atuavam no apoio logístico nacional, encarregados da guarda, movimentação e custódia da droga antes do embarque. Rafael Gonçalves Sayão (vulgo "Cabelinho"): Participante ativo no fluxo de comunicações criptografadas para a coordenação das atividades ilícitas. As defesas dos suspeitos não foram localizadas. O espaço permanece aberto para manifestação.