A Polícia Federal (PF) avalia incluir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro na lista de difusão prateada da Interpol, uma ferramenta recém-criada pela polícia internacional para rastrear bens de criminosos. O mecanismo funciona nos mesmos moldes da difusão vermelha da Interpol, só que tem objetivo específico de rastrear bens e valores de criminosos internacionalmente. O Valor apurou com fontes ligadas ao caso que a iniciativa já chegou a ser discutida com o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, e que a PF considera que a ferramenta deve ser importante no esforço de rastrear os bens do ex-banqueiro. Além disso, a PF já teria sinalizado ao ministro André Mendonça o interesse de rastrear os bens de Vorcaro internacionalmente por meio de cooperação com outros países. Até o momento, porém, nenhum pedido formal ainda foi apresentado. A PF vem buscando rastrear os bens de Vorcaro e seu grupo criminoso com o avanço das investigações da Operação Compliance Zero. Nesse sentido, a Polícia Federal também tem recebido e compartilhado informações com o Banco Central. A autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro e nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas, que desde então tem atuado por meio de processos judiciais para localizar e bloquear bens e ativos da extinta instituição financeira nos casos em que entende que teriam ocorrido desvios para beneficiar Vorcaro e seus aliados. Criada em 2025, a difusão prateada é uma iniciativa ainda em fase piloto que busca aproveitar a ampla rede da Interpol para mapear bens e ativos de criminosos internacionalmente. Nesse modelo, a Polícia Federal pediria a inclusão de Vorcaro na lista indicando em quais países os investigadores suspeitam que ele possui bens. O pedido de inclusão precisaria ser autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tal qual ocorre com a difusão vermelha, que é a relação de ordens de prisão para criminosos em outros países. A partir dessa difusão prateada, as autoridades dos países-membros vão atrás de bens da pessoa indicada. A depender das regras de cada país, se for encontrado algo, as autoridades locais podem comunicar de volta a localização do bem ou ativo ou mesmo já efetuar um bloqueio deles. A defesa de Vorcaro não comentou.