Daniel Vorcaro negocia um acordo de delação premiada e uma das contrapartidas costuma ser a devolução de ativos, o que o banqueiro resiste — Foto: Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 11:39 PF Retoma Negociações de Delação com Ex-Banqueiro Daniel Vorcaro A Polícia Federal decidiu retomar as negociações para um acordo de delação premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, após inicialmente encerrar as tratativas. A mudança se deu após a troca de advogado de defesa. As negociações precisam começar do zero, com Vorcaro assinando um novo acordo de confidencialidade. A Procuradoria-Geral da República ainda vê necessidade de mais informações do delator. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma semana após anunciar o fim das negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre um acordo de delação premiada, a Polícia Federal decidiu dar uma nova chance a ele. A corporação indicou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode retomar as tratativas para uma colaboração, caso o banqueiro tenha interesse. As negociações, porém, devem ser reiniciadas do zero. Será preciso, por exemplo, que Vorcaro assine um novo acordo de confidencialidade, primeiro passo antes de formalizar uma proposta, que ainda precisa ser homologada pelo STF para ter validade. Na semana passada, a PF rejeitou uma primeira proposta de delação do ex-banqueiro após considerá-la insuficiente. Investigadores entenderam que o material extraído dos celulares do próprio Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do ex-operador Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, continham muito mais elementos do que os relatos apresentados no rascunho da delação premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR), que também participa das negociações, contudo, manteve aberta a possibilidade de celebrar o acordo. Apesar disso, integrantes da PGR também consideram que Vorcaro omitiu algumas informações. A mudança de postura da PF é atribuída à troca do advogado que estava encabeçando a defesa. No início desta semana, Vorcaro definiu que o criminalista mineiro Sérgio Leonardo ficará à frente do caso. Ele já atuava no caso ao lado do criminalista José Luis Oliveira, o Juca, destituído na semana passada. Próximo de Vorcaro, o mineiro é tido como o advogado em quem o banqueiro mais confia. É ele quem tem feito a maior parte das visitas à carceragem da Polícia Federal. Sérgio Leonardo tem 47 anos e atua há 25 anos na área criminal. Em seu currículo, já defendeu alvos de grandes operações como o Mensalão e a Lava-Jato. O defensor também é ex-presidente da OAB de Minas Gerais e Procurador-Geral da OAB. Ele representa a terceira geração de uma família de juristas. Ele é neto do ex-presidente da OAB-MG Jair Leonardo e filho de Marcelo Leonardo, também ex-presidente da seccional do estado. Conforme O GLOBO mostrou, a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalia que o mês de julho funciona como um prazo razoável para que as negociações da delação premiada de Daniel Vorcaro sejam concluídas sem 'contaminação' do contexto eleitoral. Integrantes da PGR ponderam que seria irreal imaginar que a negociação com Vorcaro, apontado como suposto líder de uma organização criminosa que gerou fraudes bilionárias, seria resolvida em curto prazo e logo na primeira proposta. Há uma leitura de que é natural demandar mais informações do ex-banqueiro e que o vaivém entre autoridades e defesa é natural da negociação. Em meio ao prosseguimento das tratativas há uma preocupação, nos bastidores na PGR, em razão de terem sido apontadas discrepâncias entre as informações apresentadas por Vorcaro e os dados já identificados no inquérito da Operação Compliance Zero. No contexto da nova tentativa de fechar o acordo, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar o retorno de Vorcaro para a sala de Estado-maior da Polícia Federal em Brasília foi visto como um sinal. A transferência de Vorcaro para uma cela de passagem se deu sob o argumento de que o ex-banqueiro já havia entregue sua proposta de delação e então não seria mais necessário o espaço que permitisse maior interlocução com os advogados. Assim, o retorno foi visto como um indicativo da "segunda chance" oferecida ao ex-banqueiro. Interlocutores de Mendonça avaliam que não há problema no fato de a PGR seguir com as negociações da delação de Vorcaro, mesmo sem a participação da PF. Essas mesmas pessoas avaliam, contudo, que o ideal é que a Procuradoria e a Polícia Federal tenham avaliações semelhantes sobre o conteúdo apresentado, diante da relevância das apurações. As negociações O acordo de confidencialidade com a PF e a PGR para o início das tratativas veio a público em 19 de março, após o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter o banqueiro preso. Não há determinação em lei sobre o prazo para que os anexos sejam formalizados a partir da largada das conversas. Caso PF e PGR considerem que a delação acrescenta elementos essenciais à investigação, ela seguirá adiante, mas para que seja válida em inquéritos ou processos ainda há necessidade de homologação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essa etapa ficará a cargo de Mendonça, relator na Corte. É necessário que o conteúdo vá além do que já foi identificado nas frentes de investigação abertas até agora, além de explicar dados já conhecidos, mas sobre as quais ainda pairam dúvidas. Os investigadores já têm em mãos arquivos de nove celulares do banqueiro, que incluem cerca de oito mil arquivos. O dono do Master é suspeito de estar à frente de uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras e ameaçava adversários. A posição de liderança e as provas já colhidas aumentam o grau de exigência do que ele precisará revelar para obter os benefícios. A colaboração premiada pode ser firmada por investigados ou réus, estejam presos ou não, em troca de benefícios, como redução de pena, regime mais brando ou, em situações específicas, até o perdão judicial. Cabe à Polícia Federal e ao Ministério Público verificar a veracidade das informações apresentadas. A palavra do colaborador, isoladamente, não basta para sustentar uma acusação — é necessário que ela seja confirmada por outras provas.