A imprensa internacional repercutiu a proposta do Escritório de Representante Comercial dos Estados Unidos (Ustr) de impor novas tarifas aos produtos brasileiros, indicando o possível impacto negativo que isso pode ter nas relações bilaterais dos países. Os EUA concluíram na segunda-feira (01) uma investigação na qual acusam que as políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal “são injustificáveis e oneram ou restringem o comércio dos EUA”, conforme a Seção 301 da Lei de Comércio. Assim, o governo americano sugeriu uma nova tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, porém, itens como café, carne bovina, algumas frutas e peças de aeronaves seriam isentos. Bloomberg Bloomberg repercute possível tarifa contra o Brasil — Foto: Reprodução A Bloomberg destacou que “os mercados, em geral, ignoraram a notícia, com o real brasileiro se valorizando 0,4% em relação ao dólar, enquanto os contratos de swap de taxas de juros recuaram ligeiramente”. Essa indiferença dos mercados estaria relacionada às “muitas exclusões” de produtos a serem tarifados, muitos dos quais já haviam sido excluídos das tarifas “recíprocas” de 10% impostas no ano passado. Ainda assim, a agência de notícias aponta que a “investigação americana ameaça prejudicar uma relação que havia mostrado sinais de melhora após um período turbulento”, fazendo referência às tentativas do presidente Donald Trump de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. "As tarifas propostas correm o risco de reabrir pontos de atrito justamente quando o Brasil entra na reta final antes da eleição presidencial, trazendo as disputas comerciais de volta ao centro da relação.” A Bloomberg também destaca o papel que o Pix teve na decisão americana, uma vez que o governo americano considera que ele “prejudica” empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico. O governo brasileiro, por outro lado, deve manter a sua defesa do Pix, como um “símbolo da soberania tecnológica e da independência financeira do Brasil”, segundo a agência de notícias. Reuters Reuters repercute novas tarifas contra o Brasil — Foto: Reprodução A Reuters traz informações de bastidores sobre as negociações entre Brasil e EUA e afirma que “dois funcionários brasileiros familiarizados com o assunto disseram que as justificativas para uma nova tarifa americana ignoraram muitos dos argumentos apresentados por Brasília nos últimos meses, sugerindo que os motivos eram políticos e não técnicos.” A agência de notícias também comenta que, na última semana, o senador Flávio Bolsonaro, principal rival de Lula nas eleições, foi a Washington e defendeu a designação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, o que foi feito pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, dias depois. "Pedi expressamente ao presidente Trump que não impusesse tarifas às nossas empresas", escreveu Bolsonaro no X na terça-feira. "Tarifas não são a solução." CNBC CNBC repercute possível tarifa contra Brasil — Foto: Reprodução A CNBC se concentrou em apenas relatar a decisão do Ustr e explicar a base legal para a imposição das tarifas. “Embora Trump tenha tido ‘diversas reuniões construtivas’ com seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, os dois lados continuam a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação, disse o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer”. O jornal explica que a Seção 301 foi criada “para combater práticas comerciais estrangeiras desleais que afetam o comércio dos EUA e permite que o presidente dos EUA imponha tarifas se uma investigação concluir que os atos são injustificados ou discriminatórios.”