O papel global do euro aumentou ligeiramente no ano passado, mas permaneceu bem abaixo do dólar, frustrando as expectativas de que a política econômica instável dos Estados Unidos pudesse fortalecer a moeda europeia, já que os investidores passaram a investir em ouro e em moedas menores, segundo um relatório do Banco Central Europeu (BCE). O euro detém agora cerca de 20% do mercado em uma ampla gama de indicadores, um pouco acima do ano passado, mas ainda muito abaixo dos níveis observados há duas décadas, visto que o ouro e moedas de reserva menores e não tradicionais têm obtido grandes ganhos em detrimento do dólar e do euro. A presidente do BCE, Christine Lagarde, há muito tempo argumenta que o euro poderia se tornar uma alternativa viável ao dólar e que a política imprevisível dos Estados Unidos criou um “momento global do euro”, desde que as autoridades finalmente implementassem reformas financeiras há muito adiadas. “Há uma abertura para que o euro aumente seu apelo global, desde que as autoridades europeias criem as condições necessárias e coloquem as palavras em ação”, disse Lagarde no relatório do BCE desta terça-feira (2). Para que isso aconteça, disse ela, o bloco precisa reforçar a resiliência econômica, a integridade legal e institucional e a credibilidade geopolítica. O BCE afirmou que a emissão de dívida internacional em euros atingiu um recorde histórico, e ultrapassou US$ 1,1 trilhão no ano passado, seu nível mais alto desde a criação da moeda, impulsionado por custos relativamente baixos e margens apertadas. A emissão dos chamados títulos “Reverse Yankee”, ou dívida emitida por empresas americanas em euros e posteriormente convertida em dólares, aumentou quase 50%, sustentando a alta. Mas a participação do euro nas reservas cambiais caiu 0,5 ponto percentual, para 20,2%, bem abaixo da participação do dólar, de 57%, sugerindo que os gestores de reservas evitam mudanças abruptas nos índices de referência de investimento estratégico, mesmo em meio à elevada incerteza geopolítica. Os investimentos também estavam se direcionando fortemente para o ouro, com bancos centrais e investidores privados comprando volumes excepcionalmente grandes. Os investimentos também migraram fortemente para o ouro, com bancos centrais e investidores privados comprando volumes excepcionalmente grandes. O investimento privado em ouro dobrou no ano passado para 2,2 mil toneladas, enquanto os bancos centrais compraram 850 toneladas, abaixo das 1 mil toneladas do ano anterior, mas ainda bem acima dos níveis anteriores à invasão da Ucrânia pela Rússia. Com o ouro também incluído nas reservas oficiais, sua participação ultrapassou a do euro e dos Treasuries, embora grande parte desse aumento se deva aos preços mais altos do ouro e não apenas às novas compras. O euro sofreu o maior revés nas negociações diárias de câmbio, embora isso se deva em grande parte a um aumento nas operações de hedge em dólar, motivado pela volatilidade incomumente alta da moeda americana em uma série de anúncios de políticas, especialmente em torno das tarifas. Ainda assim, outras moedas conseguiram se valorizar, particularmente o yuan chinês, cuja participação agora é de 9%, segundo o BCE. “Não há espaço para complacência”, disse Lagarde. “As forças de fragmentação estão se tornando mais pronunciadas.”
Papel global do euro avança, mas segue distante do dólar, mostra relatório do BCE
Moeda europeia detém cerca de 20% do mercado em uma ampla gama de indicadores, um pouco acima do ano passado, mas ainda muito abaixo dos níveis vistos há duas décadas
O euro subiu para 20% das reservas globais mas fica longe dos 57% do dólar; bancos centrais migram para ouro. Volatilidade cambial e fragmentação de reservas elevam custos de operações B2B internacionais, pressionando orçamentos de tech managers europeus.














