Pregão foi marcado por certa aversão a ativos de risco, o que penalizou, em especial, moedas de economias emergentes Dólar sobe em dia de valorização global da moeda americana — Foto: Scott Eells/Bloomberg O dólar comercial encerrou o pregão desta quinta-feira em alta, alinhado com a tendência global de valorização da moeda americana. Dados de varejo que reiteraram a resiliência da economia dos Estados Unidos e dirigentes do Federal Reserve (Fed) mostraram uma postura mais conservadora, o que fortaleceu o dólar ao longo da sessão. Além disso, o pregão foi marcado por certa aversão a ativos de risco, o que penalizou, em especial, moedas de economias emergentes. Encerrados os negócios no mercado à vista, o dólar comercial anotou alta de 0,40%, a R$ 5,0983, após tocar a máxima intradiária de R$ 5,1134 e a mínima de R$ 5,0823. Já o euro comercial subiu 0,19%, a R$ 5,8325. Perto do horário de fechamento do mercado doméstico, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas pares, subia 0,25%, aos 100,740 pontos. Entre pares do real, a divisa americana avançava 0,29% contra o peso mexicano e subia 0,45% ante o rand sul-africano. Desde o começo do pregão, o dólar operou em alta contra a maioria das moedas, tanto de países desenvolvidos quanto de emergentes. A tendência se acentuou depois da divulgação das vendas no varejo americano em junho, que cresceram 0,2% ante maio, em linha com a expectativa do mercado, corroborando a visão de que a economia segue resiliente e pode requerer algum aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed) para que a inflação americana volte à meta de 2%. Neste contexto, pesa ainda a leve alta de 0,1% do varejo restrito no Brasil, dado que ficou bem abaixo do que o mercado esperava e, com isso, se juntou a outros indicadores recentes que sinalizaram espaço para o Banco Central seguir cortando a taxa Selic. Com a expectativa de juros estáveis ou em alta nos Estados Unidos e de queda da Selic no Brasil, o diferencial de juros entre as duas economias diminui, reduzindo a atratividade relativa do real para operações de “carry trade” - que consistem em tomar dinheiro emprestado a juros baixos e aplicá-los em economias com taxas mais altas, a fim de lucrar com a diferença entre os juros. De qualquer forma, a alta do dólar foi puxada, principalmente, pelo ambiente global. Ativos de países emergentes em diversos mercados mostraram alguma desvalorização nesta quinta-feira à medida que o mercado se voltou à liquidez da moeda americana. “Ficamos em linha com o peso mexicano e o rand sul-africano. O dólar se fortaleceu frente à maioria das moedas”, pontua Marcos Weigt, diretor da tesouraria do Travelex Bank. Ele acrescenta, ainda, que a nova tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil, anunciada na noite de ontem, tem pouco efeito econômico e sobre os mercados. “As nossas exportações para os EUA já diminuíram bem, foram mais que compensadas pelo aumento das exportações para a China, principalmente pelo volume e pelo aumento dos preços das exportações de petróleo. Portanto, o efeito prático dessas novas tarifas está localizado em setores e empresas específicas, mas não afeta o mercado como um todo”, avalia. Para Alex Cohen, estrategista de câmbio do Bank of America (BofA), a segunda metade de 2026 deve reservar um fortalecimento adicional do dólar, puxado por três fatores: a instabilidade geopolítica por conta das tensões no Oriente Médio; a postura ‘hawkish’ do Fed; e os investimentos em inteligência artificial de empresas de tecnologia americanas. Cohen afirma que as expectativas para a política monetária dos Estados Unidos têm movido, em grande parte, o sentimento dos investidores sobre o dólar. O cenário-base do BofA é de que o Fed irá subir os juros três vezes neste ano e levará a taxa básica americana à faixa de 4,25% a 4,50%, acima do que a maioria do mercado projeta hoje. “Embora isso esteja longe de ser algo certo, os comentários de dirigentes do Fed continuam ‘hawkish’”, diz Cohen. Hoje, os presidentes das distritais de Dallas, Lorie Logan, e de Kansas City, Jeffrey Schmid, reforçaram a visão de que o BC americano está inclinado a apertar a política monetária nos próximos meses.
Dólar sobe em dia de valorização global da moeda americana
Pregão foi marcado por certa aversão a ativos de risco, o que penalizou, em especial, moedas de economias emergentes






