Sem a referência de Wall Street, o mercado encontrou espaço para apostar em um arrefecimento da divisa americana Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O câmbio doméstico registrou um movimento de descompressão de prêmios de risco na sessão desta sexta-feira, um dia após o dólar ter ultrapassado o nível de R$ 5,20. A moeda americana exibiu queda firme frente ao real, em um dia de liquidez reduzida diante do feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos. Sem a referência de Wall Street, o mercado encontrou espaço para apostar em um arrefecimento da divisa americana, especialmente após os dados do ‘payroll’ de ontem, que vieram abaixo das estimativas de consenso. O dólar fechou o pregão negociado a R$ 5,1680 no mercado à vista, em queda de 0,76%, enquanto o dólar futuro para agosto também recuava 0,72%, cotado a R$ 5,2065. Já o euro comercial cedia 0,72%, a R$ 5,9099. Ao se observar a dinâmica do euro e do dólar frente ao real, é possível apontar que o movimento na reta final desta semana se deve, especialmente, ao comportamento da moeda brasileira, que anota um dos melhores desempenhos do dia. O dólar, assim, abandonou a marca de R$ 5,20, em um dia que se mostra positivo tanto para a bolsa quanto para os juros futuros e as NTN-Bs, diante de um alívio relevante nos prêmios de risco. Nesse contexto, o câmbio doméstico conseguiu reverter as perdas semanais e terminar o período praticamente estável, com variação de apenas +0,02%. Ainda assim, alguns riscos seguem no radar dos agentes de mercado, como os efeitos do pacote de medidas fiscais e parafiscais implementado pelo governo e o cenário eleitoral, que, aos poucos, começa a ser discutido de forma mais intensa na Faria Lima. Não por caso, parte dos agentes financeiros tem adotado um viés mais pessimista em relação à taxa de câmbio. Em revisão de cenário publicada nesta sexta-feira, o Santander manteve a projeção para o dólar em R$ 5,40 no fim deste ano e em R$ 5,50 no fim de 2027, ao avaliar que “as preocupações fiscais continuam sendo uma vulnerabilidade importante no médio prazo, especialmente à medida que a incerteza política aumenta gradualmente à frente”. Apesar disso, os economistas do banco também observam que os fundamentos permanecem favoráveis à moeda, como o diferencial de juros reais ainda atrativo e contas externas resilientes, o que pode impedir uma desvalorização relevante do real. Os estrategistas do banco Société Générale também passaram a adotar uma postura de maior cautela, ainda que recomendações favoráveis ao real tenham sido feitas pelo banco na semana passada. “A crescente preocupação com a interação entre a política fiscal doméstica e as eleições gerais nos leva a manter a postura menos construtiva em relação ao Brasil que adotamos na semana passada. Ainda assim, seguimos posicionados em favor do real (BRL) frente a determinadas moedas de financiamento, em razão do elevado diferencial de juros (carry). Ressaltamos, porém, que nosso grau de cautela em relação ao real aumentou ligeiramente", afirmam. O banco francês recentemente abriu uma recomendação de venda de euro contra o real e compra de real contra o peso chileno.