Após o estresse na véspera, quando o petróleo chegou a saltar mais de 7%, a sessão de hoje parece ser mais amena, com alguma recuperação de moedas emergentes Notas de dólar — Foto: Dimas Ardian/Bloomberg O dólar comercial opera em queda firme no começo da tarde desta quinta-feira, com o mercado local sendo puxado por uma descompressão dos prêmios de risco acrescidos aos ativos nos últimos dias diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. A cautela que se observou no começo da semana dá lugar a uma volta das alocações em ativos de risco, o que beneficia de forma generalizada as moedas de países emergentes. Por volta de 13h15, o dólar à vista exibia queda de 0,59%, a R$ 5,1181, após tocar a mínima intradiária de R$ 5,1171 e a máxima de R$ 5,1554. Já o dólar futuro para agosto recuava 0,66%, a R$ 5,1470, ao passo que o euro comercial anotava baixa de 0,49%, a R$ 5,8540. O índice DXY, que mede a força da moeda em relação a outras seis divisas de economias desenvolvidas, tinha queda de 0,12%, a 100,871 pontos. Já entre moedas pares do real, o dólar exibia forte queda de 0,83% contra o peso colombiano; recuava 0,46% ante o rand sul-africano; e anotava baixa moderada de 0,21% em relação ao peso mexicano. A melhora dos mercados globais nesta quinta-feira ocorre em um contexto de correção de excessos após dois dias de aversão a ativos de risco. No Oriente Médio, as tensões seguem elevadas, com os Estados Unidos lançando novos ataques contra o Irã ontem à noite. “Os principais canais de transmissão para os mercados cambiais são claros. Se o Estreito de Ormuz for fechado por um período prolongado, o preço do risco energético aumentaria estruturalmente, o que incentivaria fluxos de fuga para ativos seguros, como o dólar americano e o franco suíço, enquanto as moedas ligadas ao Golfo Pérsico e de mercados emergentes sensíveis ao risco enfrentariam novas pressões”, diz, em nota, profissionais do banco alemão Berenberg. Hoje, porém, acontece o contrário, com a saída de fluxos do dólar para moedas emergentes, ao passo em que o petróleo devolve parte do salto dos últimos dias, com um recuo superior a 1% nos contratos futuros mais líquidos da commodity. Chama atenção, nesse contexto, o comportamento do real. A moeda brasileira não sofreu tanto quanto outros emergentes no começo da semana, e o dólar comercial até fechou em leve queda no pregão da véspera. Ao mesmo tempo, o real é uma das divisas de melhor desempenho entre as 33 mais líquidas acompanhadas pelo Valor nesta quinta-feira de recuperação dos ativos de risco. Segundo Marcos Weigt, chefe da tesouraria do Travelex Bank, embora o movimento de hoje não se trate de questões específicas do Brasil, o real está numa posição mais fortalecida na comparação com outros mercados emergentes. “Com certeza, o real é favorecido por nossa posição como exportador líquido de petróleo e por uma taxa de juros real muito alta”, explica Weigt. De fato, o real tem exibido um desempenho melhor que os pares em momentos de estresse por conta do conflito geopolítico, uma vez que a alta do petróleo favorece os termos de troca da balança comercial brasileira. Ao mesmo tempo, a divisa local continua sendo um dos canais mais vantajosos para os investidores globais ganharem com operações de “carry trade”, dado o alto diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Neste sentido, comentários do presidente do Federal Reserve (Fed) de Nova York, John Williams, também ajudaram na melhora do sentimento dos agentes hoje. Embora tenha reforçado que a inflação é o principal ponto de atenção do BC americano no momento, ele disse ainda não ver efeitos secundários no quadro inflacionário por conta da alta do preços das commodities, ao mesmo tempo em que uma resposta da política monetária só ocorreria caso a inflação supere as suas projeções, o que afasta a percepção de que o Fed subirá os juros tão cedo.