Salto dos preços do petróleo em meio à indefinição sobre o conflito no Oriente Médio e o “sell-off” de ações do setor de tecnologia pesou sobre o sentimento no mercado Dólar à vista fecha em alta em pregão negativo para emergentes — Foto: Moe Zoyari/Bloomberg O dólar comercial fechou em alta nesta sexta-feira, seguindo a tendência generalizada de aversão a risco nos mercados, que penalizou moedas de economias emergentes ao redor do mundo. Ainda que o real não tenha sido tão impactado quanto a maioria de seus pares, o salto dos preços do petróleo em meio à indefinição sobre o conflito no Oriente Médio e o “sell-off” de ações do setor de tecnologia pesaram sobre o sentimento no mercado de câmbio doméstico. Encerrados os negócios no mercado à vista, o dólar comercial anotou alta de 0,25%, a R$ 5,1112, após oscilar entre a máxima de R$ 5,1328 e a mínima de R$ 5,1052. Na semana, a moeda americana ficou praticamente estável, fechando com um leve ganho de 0,05%. Já o euro comercial encerrou o dia em alta de 0,27%, a R$ 5,8484. Perto do horário de fechamento do mercado local, o índice DXY, que mede a força do dólar contra seis moedas de economias desenvolvidas, recuava 0,04%, a 100,72 pontos. Entre pares do real, a moeda americana subia 0,53% ante o peso mexicano e se valorizava 0,72% contra o rand sul-africano. Desde o começo do dia, o dólar exibia uma clara tendência de apreciação no confronto com moedas de países emergentes, reflexo da aversão a ativos de risco nos mercados globais. A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já dava um tom negativo à sessão, que se ampliou com o amplo movimento de vendas de ações de tecnologia na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. Com isso, os investidores em todo o mundo se voltaram à segurança e liquidez do dólar e dos Treasuries, os títulos da dívida pública americana. Assim, a divisa americana apagou completamente as suas perdas em relação ao real que se acumularam no começo da semana, quando dados de inflação mais fracos do que o esperado nos Estados Unidos amenizaram as expectativas do mercado por altas de juros pelo Federal Reserve (Fed). Ainda que o ambiente global tenha sido mais determinante para a formação de preços no câmbio, os riscos domésticos têm se mostrado cada vez mais aparentes para os participantes do mercado. Em relatório publicado hoje, o Société Générale revelou ter encerrado posições favoráveis ao real contra o peso chileno e o euro, à medida que questões políticas e fiscais se amontoam com a proximidade das eleições presidenciais. “Nós rebaixamos a nossa posição no mercado de câmbio do Brasil para ‘neutra’, já que a possibilidade de uma política fiscal mais frouxa antes das eleições e um mercado potencialmente subestimando uma vitória de Lula tornam a moeda menos atrativa no curto prazo”, diz Phoenix Kalen, chefe global de pesquisa em mercados emergentes do Société Générale. Além das questões políticas e fiscais, os profissionais do banco francês apontam que a mudança ocorreu em função da expectativa por mais um corte da Selic na próxima reunião do Copom, em 5 de agosto. A flexibilização adicional da política monetária tende a reduzir a atratividade do real em operações de “carry trade”, que consistem em tomar dinheiro emprestado a juros baixos e aplicá-lo em economias com juros elevados, como o Brasil, a fim de lucrar com a diferença entre as taxas. O Société Générale ainda pondera que, caso o risco político ganhe impulso e passe a prejudicar de forma mais clara os ativos brasileiros, é possível que uma mudança da avaliação sobre o real para “ligeiramente ‘bearish’” (pessimista, no jargão do mercado) seja necessária.
Dólar à vista fecha em alta em pregão negativo para emergentes
Salto dos preços do petróleo em meio à indefinição sobre o conflito no Oriente Médio e o “sell-off” de ações do setor de tecnologia pesou sobre o sentimento no mercado








