O avanço da inteligência artificial generativa chacoalhou o mercado de livros independentes, multiplicando o volume de novos títulos, acelerando prazos de lançamento e reduzindo custos de produção. O movimento tem levado editores e autores a questionar a qualidade das obras.

No catálogo do Kindle Direct Publishing, plataforma de autopublicação da Amazon, o leitor esbarra em capas com traços visuais associados a imagens geradas pelas novas tecnologias. Perfis de autores acumulam mais de 500 obras publicadas e mantêm o ritmo com o lançamento de um título a cada dois dias.

Em 2023, a Amazon passou a exigir que os autores, ao inscrever suas obras na plataforma, declarem se usaram IA para gerá-las, mesmo que tenham passado por revisão humana. A empresa afirma limitar a criação simultânea a dez títulos por formato de livro, por semana, para cada autor.

Em nota, a empresa diz aplicar "medidas proativas e reativas para prevenir, detectar e remover conteúdo que viole nossas diretrizes, seja ele gerado por IA ou não". Apesar das restrições, os catálogos continuam repletos de obras automatizadas sem identificação visual clara, o que incomoda editoras tradicionais.

Na França, em abril deste ano, editores recorreram a órgãos de repressão a fraudes acusando a Amazon de "parasitismo e indução do consumidor ao erro" ao vender livros criados com auxílio da IA.