O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que pode falar com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, sobre a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Ressaltou, porém, que não cabe ao Brasil assumir uma posição de "vassalagem" na relação bilateral. “Posso ligar para Scott Bessent a qualquer momento, não tenho problema com isso, mas não cabe ao Brasil estar no lugar de vassalagem, de passar a mão no telefone toda hora e ficar implorando para os Estados Unidos. Vamos fazer conversas internas, com instituições financeiras, autoridades brasileiras, recolher informação, e levar isso de maneira qualificada para autoridades norte-americanas”, disse em entrevista ao SBT News. Segundo Durigan, diante de medidas com potencial impacto sobre o Brasil, seria razoável que o governo americano comunicasse previamente as autoridades brasileiras, o que não foi feito. “Não caberia a eles ligarem e avisarem que estavam tomando esse tipo de providência?”, comentou. Apesar das ponderações, o ministro disse que fará contato com Bessent para detalhar as medidas adotadas pelo Brasil. “O que estou dizendo é: essa medida foi aplicada na quinta-feira à noite, passamos sexta-feira conversando com a economia brasileira. Hoje é segunda-feira. Nos próximos dias isso pode acontecer à medida em que eu estiver com as informações todas que eu reputo necessárias e no meu tempo eu vou fazer o contato com eles”, acrescentou. O ministro também afirmou que o debate deve ser técnico e centrado na explicação das medidas necessárias para o combate ao crime organizado. Na avaliação dele, a designação de organizações criminosas não ajuda a enfrentar o problema. O que produz resultados, segundo o ministro, é a cooperação entre instituições, com atuação conjunta de órgãos como a Receita Federal, a Polícia Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Ele voltou a criticar integrantes da oposição que defendem, no exterior, a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, esse tipo de atuação transmite um sinal contrário ao trabalho realizado por policiais e investigadores brasileiros no combate ao crime organizado. O ministro também repetiu que a abertura de espaço para questionamentos por parte dos EUA por causa dessa medida já tem levado bancos brasileiros a contratar escritórios de advocacia no exterior e reforçar procedimentos de compliance, apesar de já cumprirem exigências da legislação nacional e da regulação do Banco Central — o que, segundo ele, gera custo adicional para bancos e pode onerar cidadãos. A medida, disse, também pode criar riscos desnecessários para o sistema financeiro caso evolua para sanções contra instituições brasileiras, com potenciais impactos sobre serviços como o Pix. Durigan alertou ainda que a discussão pode aumentar a percepção de risco sobre o país e elevar o prêmio exigido por investidores estrangeiros para aplicar recursos no Brasil. Ressaltou, porém, que isso não significa que o país represente um risco maior. Segundo ele, o Brasil já combate o crime organizado e está disposto a ampliar a cooperação com os Estados Unidos nessa agenda. Ministro da Fazenda, Dario Durigan — Foto: Wenderson Araujo/Valor
Durigan diz que pode falar com Bessent sobre classificação de facções como terroristas, mas ‘não cabe vassalagem’
"Vamos fazer conversas internas, com instituições financeiras, autoridades brasileiras, recolher informação, e levar isso de maneira qualificada para autoridades norte-americanas", disse o ministro da Fazenda












