Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repercutiram, nas redes sociais, a operação da Polícia Civil de São Paulo contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que "o cerco está se fechando", enquanto o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), atacou o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), de quem foi adversário nas eleições municipais de 2022. O ICB é suspeito de fraude em um contrato com a prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi na cidade. Segundo a Polícia Civil, há suspeita de irregularidades na contratação e na execução do serviço, e também de desvio de dinheiro público. A prefeitura nega, e afirma colaborar com as investigações. "Muita coisa precisa ser explicada por essa turma. Já Pedimos a Interpol para investigar onde estão os R$ 61 milhões que Flávio pediu ao Vorcaro. Vamos seguir o caminho do dinheiro e desbaratar essa quadrilha", disse Lindbergh em post no X . O deputado petista refere-se à revelação de mensagens e áudios em que o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para financiar o filme sobre seu pai. A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais, compartilhou o post. No domingo (31), Lindbergh havia dito, também em publicação no X, que acionou o escritório central da Interpol no Brasil para pedir cooperação penal internacional na investigação sobre possível lavagem de dinheiro, ocultação de beneficiários finais e triangulação transacional de recursos do filme "Dark Horse". Segundo as revelações feitas pelo site Intercept Brasil, as negociações entre Flávio e Vorcaro teriam envolvido R$ 134 milhões. Até o momento daqueles diálogos, antes da prisão do ex-banqueiro, no entanto, haviam sido repassados R$ 61 milhões. O dinheiro foi transferido para um fundo no Texas, Estados Unidos. Além de presidir o ICB, alvo da operação desta segunda-feira, Karina Ferreira da Gama é sócia da Go UP Entertainment, produtora de "Dark Horse". Relatório da Polícia Civil de SP menciona suspeitas de “financiamento cruzado ilícito”. Conforme documento obtido pelo Valor, investigadores trabalham com a hipótese de que recursos públicos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil possam ter sido desviados para custear a produção de “Dark Horse”, cujo orçamento é estimado entre R$ 8 milhões e R$ 20 milhões. Guilherme Boulos, por sua vez, não mencionou nominalmente a família Bolsonaro em seu post. Ele direcionou as críticas ao seu rival político na capital paulista, o prefeito Ricardo Nunes. “É impressionante, onde tem contrato suspeito, tem o dedo de Nunes”, escreveu.