A proximidade da Copa do Mundo, que já começa em 11 de junho com a partida entre México e África do Sul, levou as empresas de bebidas a consolidar suas estratégias para o torneio, em especial as gigantes de cerveja. De um lado, Ambev é vista como um “player” importante na competição diante da capilaridade do portfólio — a empresa, por sinal, é a patrocinadora do evento por meio dos acordos fechados por sua controladora, a AB InBev. Heineken, no outro lado, tem como trunfo a força da sua principal marca, que sozinha apresentou mais intenção de consumo do que todo o portfólio da Ambev, segundo levantamento do Citi. Confira os resultados e indicadores da Ambev e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 A Copa tem sido apontada como um suporte importante para o setor de cerveja depois de um ano de 2025 considerado um dos piores da indústria em mais de 15 anos. O Brasil estreia no sábado, 13 de junho, às 19h, contra o Marrocos. Além dos jogos, o segmento aponta em crescimento para este ano diante de mais feriados e de um clima mais favorável. A produção total de cerveja no Brasil em 2025 apresentou queda de 8,85%, para 15,688 milhões de hectolitros. O resultado reflete, sobretudo, o enfraquecimento de marcas mais populares, que sofrem diante do bolso apertado do brasileiro. Os números fazem parte do Anuário da Cerveja 2026, publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A força do portfólio da Ambev e sua estratégia de precificação foram destaques em um relatório recente do BTG, que elevou as ações da empresa para compra. Segundo os analistas, a revisão chegou 13 anos depois de o banco ter rebaixado os papéis. O BTG destacou a capacidade de a empresa de impor preços, ancorada em um portfólio incomparável à concorrência. A soma dos fatores, segundo os analistas do banco, aparentemente teria começado a trazer frutos após anos de aperto. “Pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação no mercado de cerveja no Brasil. A marca Heineken, após uma trajetória notável de 15 anos, mostra sinais de maturidade do ciclo. Por trás da lata verde, o portfólio da Heineken permanece enxuto. A Ambev, por outro lado, agora atua de forma granular nos segmentos core, core plus, entry premium e premium”, escreveram Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG. Ainda conforme a equipe do BTG, o portfólio é o diferencial que falta à concorrência e, como demonstraram os últimos quatro trimestres, permitiu à Ambev potencialmente reacender a recuperação de sua participação no mercado de valor. A Ambev tem sido apontada como um “player” que deve ganhar força na Copa, sobretudo diante do seu portfólio diverso. É justamente nos bares, ponto focal dos consumidores para assistir aos jogos, que a empresa domina no Brasil. Mas a Heineken também tem suas armas e a mais forte delas é seu carro-chefe: a marca de mesmo nome. Segundo pesquisa feita pelo Citi, a Heineken lidera com 40% a preferência entre as marcas de cerveja apontadas pelos consumidores como escolha para beber durante as partidas. Em segundo lugar, aparece a Amstel, com 14%, seguida pela Brahma (10%), Corona (9%) e Skol (7%). Não por acaso, a Heineken lançou recentemente sua nova marca, a Heineken Ultimate, com foco no público que busca escolhas mais equilibradas. A bebida tem menos calorias e não tem glúten – variedade cuja produção saltou 417% no ano passado contra 2024, para 367,9 milhões de litros.No total, o grupo Heineken tem 56% da preferência, contra 36% da Ambev e 4% para a Itaipava. A pesquisa foi feita com 1.800 pessoas em sete países, sendo os três anfitriões dos jogos e quatro outros espalhados pela Europa e América Latina – o Brasil faz parte do levantamento. Mesmo com a força da concorrente, a equipe do Citi destacou que a Copa deve colaborar para a Ambev ter um dos seus anos mais fortes em termos de demanda. Renata Cabral, analista do Citi, argumentou que o torneio em 2026 retorna a um horário muito favorável para o Brasil (14h às 22h), ao contrário da competição no Qatar. A analista destacou ainda o bom posicionamento do Brasil no levantamento. Por aqui, 58% dos consumidores entrevistados esperam consumir mais álcool durante o torneio – contra uma média de 50% no levantamento global. A cerveja, além disso, tende a ser a grande vitoriosa, com 73% apontando a bebida como principal escolha para acompanhar os jogos no Brasil, contra 64% na média global. “O fato de o Brasil apresentar uma propensão ao aumento do consumo de álcool acima da média chamou atenção e reforça como o brasileiro se comporta na Copa”, disse Cabral.
Cervejarias se preparam para disputar copo do consumidor durante a Copa do Mundo
Mundial é estratégico para o setor após um 2025 considerado um dos piores períodos da indústria em mais de 15 anos













